terça-feira, 8 de outubro de 2013

PT: VENENO À MESA...

Em nota oficial, o senador e presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência em 2014, disse, sábado (5), que a decisão da ex-senadora Marina Silva de se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), após, na quinta-feira (3), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter negado o registro à Rede Sustentabilidade, partido da ambientalista, não passa de uma “resposta às ações autoritárias do PT...” – Estadão (05/10/2013).


E haja autoritarismo! Exemplo disso foi a conspiração – sem precedentes, na História do Brasil, diga-se de passagem – que a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) e os poucos aliados que ainda lhe restam formaram para que, num descaramento deplorável, o TSE, por motivos mais do que escusos e, portanto, insultando, acintosamente, a democracia brasileira, negasse o registro à Rede Sustentabilidade, partido da ex-senadora Marina Silva, alegando que, para tal, 492 mil assinaturas fossem coletadas. No mínimo! Ocorre que, na verdade, foram recolhidas 668 mil assinaturas, embora, deste total, 95 mil tenham sido recusadas pelos cartórios eleitorais do país. Indignada, a ex-senadora divulgou um vídeo na internet e denunciou não somente a morosidade e desqualificação dos cartórios, mas, sobretudo, o explícito boicote destes ao registro do seu partido. Os ministros do TSE, por sua vez, ignoraram os reclames de Marina Silva e argumentaram que, independentemente do que tenha ocorrido antes, ou seja, durante o processo de coleta de adesões – isso no âmbito dos cartórios –, eles só poderiam, por questões legais, amparados que estavam pela recente costura (PL 4470/12) feita na legislação referente à formação de novos partidos, validar apenas 442,5 mil assinaturas. Só que, por extensão, findaram por invalidar o registro da Rede – vale ressaltar, contudo (ninguém é ingênuo para duvidar disso), que, quando idealizada, a famigerada costura tinha apenas um objetivo: tentar, a todo custo, evitar que Marina Silva, segundo lugar nas recentes pesquisas de intenção de voto, criasse um partido político, o que, infelizmente, terminou acontecendo. Tanto é verdade que, no dia 24 de outubro, o TSE nem hesitou em aprovar a criação de duas novas legendas, o Solidariedade e o Partido Republicano da Ordem Social (Pros) – na minha opinião, partidos de fundo de quintal, ridicularmente inexpressivos. E em todos os sentidos! Sim, diferentemente da Rede – renegada –, fruto de ideologias fortemente definidas, com um projeto amplo e consistente para o Brasil do séc. XXI, e que, inclusive, caso fosse reconhecida, seria a trigésima terceira agremiação partidária do país – número, aliás, bastante simbólico...


Dito... E feito!
“Todos sabemos que ela [Marina] representa um conjunto de ideias que tem seguidores pelo país todo, que estimula jovens e pessoas maduras, de todas as classes sociais, e que está bem instalada nas pesquisas de intenção de votos. Sua agenda há muito tempo transbordou a questão ambiental – preservando-a – com propostas e questões das quais se pode discordar, mas o indiscutível é que Marina Silva não é candidata de si mesma. Não é uma viagem personalista, é um movimento...”.

Míriam Leitão
Jornalista brasileira


O fato é que, apesar de ter votado contra a criação da Rede Sustentabilidade, a relatora do processo na sessão que negou o registro do partido da ex-senadora Marina Silva, ministra Laurita Vaz, ponderou: — Provar a autenticidade das assinaturas é ônus dos partidos e não dos cartórios.

Porém, recorrendo à legislação dos partidos, a ministra Cármen Lúcia encerrou a sessão, que, aliás, ela presidia, e que, por 6 votos a 1, pôs por terra os sonhos de Marina Silva em criar a sua própria agremiação partidária: — Aceitar [a pretensa nova legenda] sem cumprir os requisitos legais é que seria casuísmo.

Ora, casuísmo foi o TSE fazer vista grossa à inoperância dos cartórios e ao descaso dos mesmos em relação as assinaturas de adesão à Rede! Isso sem falar que tal postura foi meramente inquisitorial, já que a Rede é o partido de Marina Silva. E nem adianta quererem tapar o sol com a peneira, porque, no frigir dos ovos, foi isso o que aconteceu. Curiosamente, no dia 22 de setembro, no artigo intitulado Debate diverso, bastante inspirado, por sinal, e que foi publicado no jornal O Globo (o transcrevi no meu blog: http://abagagemdonavegante.blogspot.com/2013/09/com-palavra-jornalista-miriam-leitao.html), a jornalista Míriam Leitão fez, de certa forma, uma previsão: — Se Marina Silva for barrada porque não cumpriu um número cabalístico de (...) assinaturas validadas pelos cartórios (...), o país verá ser cometido um crime contra a democracia. (...) Não será inteligente, justo nem democrático barrar do debate, por razões obscuras e burocráticas, a Rede liderada por Marina.

Infelizmente, foi isso o que aconteceu...


Uma questão de gravidade: todas!
“Curioso como é difícil criar um partido que nasce das ideias. Fácil é criar legendas de aluguel, em que os mesmos candidatos se apresentam a cada eleição para eleger alguns poucos, que depois vão barganhar nacos de poder na coalizão de governo...”.

Míriam Leitão
Jornalista Brasileira


O registro, portanto, da Rede Sustentabilidade, permitiria, se efetivado, que, em definitivo, a ex-senadora Marina Silva conquistasse a autonomia partidária de há muito almejada. Porém, com a sua recusa, o TSE simplesmente “plantou” um entrave para que Marina Silva não concorresse as eleições presidenciais de 2014, ou seja: dispôs, literalmente, não apenas uma pedra no seu caminho, mas todo um caminhão delas. O detalhe, contudo, de toda essa encenação grotesca não traduz, senão, ainda mais, o temor de Dilma Rousseff de perder a sua galinha dos ovos de ouro, que é a chefia do Executivo, sobretudo porque, pelo andar da carruagem, a acreana é que era a pedra no sapato da mineira, podendo, não há dúvidas, tirar o seu andor. Ocorre que, por tamanha falta de decoro, já que praticou toda sorte de manipulação para evitar a criação da Rede, Dilma Rousseff apenas deu, ainda mais, uma maior visibilidade a uma arrogância sem limites, agindo como agem os covardes diante de uma iminente derrota, ou seja: através da força bruta – violência não é só física –, pois, pelas vias democráticas, sem os artifícios do PL 4470/12 inclusos na legislação dos partidos, nunca que a conterrânea de Guimarães Rosa (1908 - 1967), citado, aliás, em seu discurso de posse, seria reeleita, perdendo, nas urnas, inexoravelmente, para Marina Silva – jogo baixo, o do PT! E totalmente desprovido de ética. Desse modo, estaria explicado o título desta postagem? Então... Similar aos malefícios dos agrotóxicos no organismo humano, o PT anda, igualmente, se comportando como se fosse o atual câncer da democracia brasileira. E não é verdade? Afinal, numa sequência de podres poderes, capaz de causar repulsa até nos mais céticos e nos emperdenidos, pense um complô bem articulado contra o registro do partido da sucessora natural de Dilma Rousseff, que seria Marina Silva! Sei não, mas, quando se toma antipatia ideológica, principalmente ética, por um partido político, no caso, pelo PT, e quando não se confia mais nas lideranças da agremiação, não há quem nos demova de tal sentimento.


Plano A, B, C...
“Essa decisão da Rede de fazer uma coligação programática com o PSB me permitiu conhecer Marina Silva com mais profundidade. Marina mostrou sua grandeza, sua generosidade e seu profundo compromisso com um Brasil melhor. Tomou uma atitude que surpreendeu aqueles que raciocinam com a cabeça da velha política. O seu gesto de desprendimento serve de exemplo para todos nós, que queremos uma nova forma de fazer política: tem o meu respeito e a minha profunda admiração. (...) Essa aliança (Eduardo Campos e Marina Silva) vai mudar a História do Brasil...”.

Rodrigo Rollemberg
Senador (PSB-DF)


Numa reportagem publicada sábado (5), no jornal O Estado de S. Paulo, os autores da mesma, um tour de force de jornalistas, referindo-se à “coligação programática” da ex-senadora Marina Silva ao PSB, ocorrida no mesmo dia num hotel de Brasília, disseram que a atitude da ex-senadora “dá uma resposta ao Palácio do Planalto para a acusação de que desejava ser candidata a qualquer custo...” – (na primeira epígrafe desta postagem, transcrevi uma opinião similar, que foi a do senador Aécio neves). Segundo ainda a reportagem, que focou a aliança que a representante da Rede Sustentabilidade fez com o PSB, cujo presidente nacional é o político Eduardo Campos, governador de Pernambuco, tal coligação passa a ser a terceira via das eleições presidências de 2014 – detalhe: Eduardo Campos já se postulava candidato antes mesmo da filiação de Marina Silva ao seu partido (filiação essa que, segundo ela, é simbólica). Desse modo, após o circo armado pelo PT e os seus agregados, sobretudo, o TSE, crucificando a Rede, e ainda sem a menor das garantia de que a ambientalista continuará no páreo, o senador Aécio Neves fincou por ascender ao segundo lugar nas intenções de voto.

No que diz respeito à Marina Silva... Diante de um auditório lotado, ela disse que não se sentia derrotada com a decisão do TSE: — A derrota ou a vitória só se mede na História. Apressam-se aquele que pensam que a História se resolve em uma canetada...

Para a ex-senadora, o TSE pode até ter negado o direito de a Rede ser legalizada, mas, independentemente disso, o respaldo da sociedade é a única coisa que tem importância, que lhe dá um “registro moral”. Desse modo, politicamente falando, a Rede seria, digamos, para ela: — O primeiro partido clandestino criado em plena democracia...

E Marina Silva ainda chegou a dizer que não tinha um plano B! De fato, não tinha. O que aconteceu foi um plano C... Pense o desprendimento da mulher! Isso só traduzindo a sua animosidade em relação a Dilma Rousseff – somos, portanto, duas –, que esperava receber o apoio do governador de Pernambuco. Agora, o poder de força para tirar a corja do PT da Esplanada ficará mais fácil...


Marina é pop...
“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar...”.

Leonardo da Vinci (1452 - 1519)
Artista multimídia italiano, o maior dos grandes gênios da humanidade.


Bom! Numa declaração divulgada no vídeo que a ex-senadora Marina Silva postou na internet, ela disse que, na verdade, “o nosso partido não era apenas um projeto de poder pelo poder ou de eleição por eleição, mas, sobretudo”, a possibilidade de participar de um processo capaz de promover “uma grande transformação na cultura política do nosso país”, reconhecendo que, por seguir tais princípios, as suas recentes decisões têm fomentando polêmicas. Tanto que, de acordo, ainda, com a reportagem mencionada anteriormente, a adesão de Marina Silva ao PSB, segundo ela, não é que um “abrigo transitório” para os envolvidos no processo de criação da Rede – inclusos os eleitores? Aí, caro leitor, eu fico querendo entender, já que no artigo Madre Marina, do jornalista Adriano de Sousa, publicado no Novo Jornal, igualmente neste sábado (5), a Rede, por si só, seria “um orfanato de utopistas”, ou seja, dos “sonháticos”. Ou dos “deserdados da política”. E fico a pensar... Ocorre que, enquanto penso, tentando digerir todo esse efeito colateral provocado pelas ações dementes do PT e da sua base aliada, parece que, formalmente, ambos, Marina Silva e Eduardo Campos, que disse que “esse ato dá aula de política a muitos doutores que ficaram fazendo cenários, prospecções, julgamentos, lançaram sentenças e esqueceram a poesia: onde não há caminho, nós voamos”, vão continuar professando as suas respectivas condições de pré-candidatos. E, de repente, tentando, talvez, ajudar a entender o quiproquó, Bazileu Margarido, coordenador executivo da Rede, declarou, referindo-se à Marina, que “ela se disporia a ser vice do Eduardo Campos, porque reconhece a candidatura dele, mas essa discussão será no momento futuro e não há ansiedade nisso...”. E eu perguntaria: o que diria disso tudo o finado e saudoso Miguel Arraes (1916 - 2005), um dos mais expressivos nomes que o PSB já teve em suas fileiras? O fato é que, por questões óbvias, discordo dessa possibilidade.

Isso porque, politicamente, independentemente de um dia já ter sido filiada e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o inofensivo Partidão, não me sinto órfã politicamente nem, muito menos, careço de um abrigo, por mais “transitório” ou provisório que seja numa legenda qualquer. Sem falar que, nas eleições presidenciais de 2010, desloquei-me geograficamente apenas para votar em Marina Silva – anulei o resto. 2014? Eu também tinha planos: novamente votar nela para a presidência da República, pouco me importando o seu partido. Ocorre que, caso ela saia vice de Eduardo Campos, nem no meu domicílio eleitoral eu pisarei! Ou seja, as eleições presidenciais do próximo ano serão desconsideradas pelo meu título de eleitor – não me esquecendo de ressaltar que, dos dois nomes, o que tem mais representatividade na sociedade brasileira é Marina Silva, visto que, em 2010, conquistou cerca de 20 milhões do eleitorado do país. Constatando, portanto, um fato, o mais sensato é que, após a já tão propalada “coligação programática”, envolvendo Marina Silva e o PSB – também estou tentando entender isso –, urge reconhecer que a mais indicada para ser a cabeça da chapa é ela, tendo, no caso, como vice, o governador Eduardo Campos, agradecendo ser o vice dela – que ele seja humilde para reconhecer isso. Caso contrário, nem sei ainda mais o que fazer com o meu título eleitoral... E não quero ter a pena dos meus escritos particulares lamentando o fato de viver numa sociedade tão fdp. E pouco me importa se alguém me chamar de alienada! Não tenho de prestar contas da minha postura eleitoral a seu ninguém. Isso sem falar que a legislação eleitoral brasileira, sobretudo quando insiste em manter a obrigatoriedade esquizofrênica do comparecimento as urnas, é mais caduca do que o Código Penal do país, datado de 1940.

E espero não me decepcionar. Só que nunca foi a minha intenção votar em Eduardo Campos, que, diga-se de passagem, só fui saber quem era no sábado (5). Até então, ele nem constava nas minhas leituras políticas... Ocorre que, durante um ano, já que as eleições de 2014 acontecerão no dia 5 de outubro, um domingo, muita água ainda irá rolar... Até lá, pensarei se irei ou não comparecer ao meu domicílio eleitoral! Resumindo: se Marina Silva não sair candidata, não votarei em mais ninguém – nem sofrendo tortura de quem quer que seja! Afinal – é do meu conhecimento –, eu não devo satisfação eleitoral a ninguém. Então... Certa feita, o teólogo Leonardo Boff disse que Marina Silva “faz política com os métodos de Gandhi, com respeito às coisas vivas” – um baita elogio! Frei Betto, por sua vez, numa metáfora, ao final de uma belíssima e pungente carta que, em 2010, escreveu à ambientalista, citou Cícero (106 - 43 a. C.), político, orador e escritor romano, que se esforçou para que Catilina (108 - 62 a. C.), também um político romano, admitisse os seus graves erros: — Estás apanhando por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia. Em que país do mundo, afinal, nós estamos? Que governo é o nosso?

Seria redundância dizer quem, hoje, no cenário político brasileiro, é a própria “encarnação” de Catilina...

E cá estou eu, tentando entender todas as contradições. Dos outros. outros.

Nathalie Bernardo da Câmara


O meu blog anda com problema de configuração: perdão. aos leitores. De qualquer modo, a mensagem foi passada...

Um comentário:

  1. Yes Marina Silva in Brazil. Problemych day in day of Brazil ant Dilma Roussef in Lula. Brilhanct Jornalista!! Perfect meytre.

    ResponderExcluir

Aceita-se comentários...