Câncer maligno em
todos os seus estágios,
flanando e vivendo
de ágios,
o capital menosprezou
vidas,
impôs-se às autoridades políticas
e científicas constituídas,
pondo fim a uma
quarentena
no auge da
pandemia que ainda acena,
já que contágios e óbitos
teimam em manter o cerco
sem data marcada para o seu termo.
Sistemas monitoram
casos notificados
em todo o planeta
e em tempo real,
divulgando cerca de 6 milhões
e 500 mil perdas fatais,
mas, ante os casos não registrados,
o número é irreal:
estima-se, na verdade,
mais de 20 milhões de ais.
Só que enquanto calculam
a precisão de almas mortas
– citando Gogol –
o capital desdenha e “galopa”
com as pernas nada tortas...
Nathalie
07-09/08/2022
Um poema realista para todos os que tiveram as suas vidas ceifadas, que se foram no olho do furação, e os que perderam entes queridos, mas, sobretudo, para os que insistem em ignorar a pandemia, os que a negam, os que fazem chacota do fato e os que fomentam a sua perpetuação, além dos que execram a ciência, permanecendo na ignorância, e falam disparates em relação à covid-19 e às vacinas contra o novo coronavírus – ignorariam também estes últimos que, no mundo inteiro, são exatamente eles, alienados, os que mais estão a fenecer em leitos de hospitais e justamente por não se vacinarem? #UseMáscara
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