quinta-feira, 28 de abril de 2016

CRÔNICA DA QUARTINHA


E assim caminha o brasileiro...

Cartum: Latuff.



Um dia que começa com Temer recebendo a benção de Malafaia para iniciar a sua travessia por uma hipotética ponte para o futuro só pode ser o prenúncio do fim do mundo, previsto, aliás, para ontem, quarta, 27, por uma seita cristã com sede nos EUA... Enquanto isso, já abençoado, Temer recebe um Collor renovado, apresentando proposta para a “reconstrução” do Brasil – essa foi de doer! Igual à frente fria que paira sobre o Sul e Sudeste do país, que, com ela, trouxe o anúncio do congelamento do salário mínimo e o dos servidores públicos numa eventual gestão Temer  imagina o que mais vem pela frente, na educação, na saúde... Nisso, é feita uma denúncia, com provas, de que Anastasia não é quem ele diz ser, mas sim um ciclista incauto, infringindo as leis do trânsito, não podendo, portanto, entre outras máculas curriculares, ser o relator do processo de impeachment contra Dilma no Senado. E quem liga para isso? O único que liga é Lewandowski, mas para Cunha, com quem marca um cafezinho e de quem ganha um mimo de 41,347% de reajuste escalonado para o judiciário, não uma pagamento de fatura como as más línguas andam a dizer. Nesse meio tempo, juízes da América Latina tornam público um documento contra o golpe assinado pela categoria – infelizmente, os magistrados tupiniquins nem ao respeito se dão... Tem coisa mais feia do que isso? Tem, que é o filho de Kátia Abreu – quem herda aos seus não degenera –, sair colhendo assinaturas para criar uma lei anti-Lula, que, se aprovada, proibirá candidaturas para cargos públicos de quem não possui curso superior... Porém, pelo que ouvi dizer, o homenageado, com os seus mais de 50 títulos honoris causa, não está nem aí. Roseana Sarney, por sua vez, talvez possa ser a próxima ministra da Educação... Eita, engasguei. E com a pipoca que ainda nem comi, porque o STF proibiu, quando for assistir o filme Nise – O coração da loucura no primeiro cinema público de Belo Horizonte, recém-inaugurado. Falando na sétima arte, faleceu, também nesta quarta, o ator Umberto Magnani, 75, em consequência de um AVC – sim, o face também é obituário. Coincidentemente, há um ano, falecia, dormindo, em sua casa, Inês Etienne Romeu, 72, a única presa política a sair com vida da Casa da Morte, em Petrópolis, aparelho clandestino de tortura da ditadura militar, após 96 dias de tortura. Sobre o tema... A União Brasileira dos Escritores (UBE) – uma boa notícia, pois tinha de ter uma – pediu ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda, que abra uma investigação criminal contra Bolsonaro, argumentando para tal a sua apologia da tortura, crime de lesa-humanidade, durante a votação do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados, lembrando que outras investigações estão na agenda de instituições brasileiras. E não para por aí: está circulando uma petição, que já assinei, para que, em maio, o parlamentar não seja homenageado pela Câmara de Vereadores de Campo Grande, que pretende conferir-lhe o status de “visitante ilustre”... É, o face também gosta de dá um de colunista social – não foi à toa que conseguiu localizar Sérgio Moro nesta quarta, até então, de paradeiro ignorado. Sim, embora sem a sua capa indefectível – prefiro a do Zorro –, o juiz foi finalmente encontrado numa homenagem que lhe foi prestada, em Nova York, por ter sido capa da revista Time da semana como uma das cem pessoas mais influentes da atualidade... Ora, influente foi o casal que denunciou para o mundo, que está de olho, o golpe de Estado em curso no Brasil e a fraude que é a Rede Globo, como também marcou um golaço o Levante Popular da Juventude, protestando contra a emissora na final da Copa do Nordeste, realizada no estádio Arruda, em Recife, chamando-a de “golpista” ao vivo e a cores. À surdina, uma comissão do senado aprovou uma PEC que dispensa análises da viabilidade de uma obra, para poder autorizar ou não o licenciamento ambiental, a partir dos impactos socioambientais que ela pode gerar, rasgando, assim, a legislação vigente. Não, nada de proteger o meio ambiente para esse pessoal, que, com essa decisão, não fizeram que garantir vales... E outras Vales. Enquanto isso, no Vale da Utopia, no Parque estadual da Serra do Tabuleiro, o seu guardião, o artista plástico Vilmar Godinho, está sendo ameaçado pela decisão do Ministério Público de Santa Catarina de retirá-lo da caverna onde, por opção, mora há 26 anos, na maior interação com a natureza, sem fazer mal a ninguém. E para que ele tenha o direito de permanecer recluso também está rolando petição, manifestações locais. Outra boa notícia é que, na sessão da noite da Câmara dos Deputados, revoltadas com mais manobras de Cunha, parlamentares peitaram Cunha, ocuparam a mesa e botaram o meliante para correr – cabra frouxo! Já na Praça dos Três Poderes, as mulheres tentaram iluminar os senadores para que votem contra o golpe com um ‘iluminaço’ pela democracia. É, e no dia em que se comemorou o nascimento da escritora, filósofa e feminista inglesa Mary Wollstonecraft, Dilma declarou em entrevista que lutará para sobreviver. Por seu mandato e para defender o princípio democrático que rege a vida política brasileira. E na abertura Conferência Nacional de Direitos Humanos, para quem já tinha dito, referindo-se a Temer, que deve ser mesmo muito confortável ser presidente sem votos, Dilma aproveitou para alfinetar Cunha. Em sua opinião, o “pecado original” do processo de impeachment contra ela, que, no evento, garantiu encaminhar um projeto ao Congresso para, em regime de urgência, num prazo de 45 dias, pôr fim aos autos de resistência no país, uma antiga reivindicação dos movimentos sociais. Mas, como o dia foi longo e nada indicava que o mundo fosse acabar na data prevista pela seita cristã, ainda teve uma de Erundina, que, preocupada, desabafou: “Isso (golpe) enxovalha a imagem do Brasil no mundo.” Ora, onde já se viu bandido preocupado com imagem? Não estão preocupados com o Brasil, o que dirá com a imagem do Brasil no mundo! O mais preocupante, contudo, é que ambos, Cunha e Temer, parece não estarem batendo nada bem da cabeça: além da canalhice habitual, Cunha teve o disparate de dizer que o modus operandi do PT assemelha-se ao de organizações criminosas, quando, na verdade, o maior bandido, hoje, no Brasil, atuando como chefe de quadrilha, um gângster, é ele, inclusive na condição de “foragido”, pois responde a um sem fim de processos no STF – infelizmente, a instituição caiu no descrédito da população, pois, além de há meses não julgar o réu, está seriamente comprometida com ele. Temer, por sua vez, não admite que ninguém chame o processo de impeachment de golpe, mas chama de golpe a dissolução do Congresso e a possibilidade de novas eleições presidenciais serem convocadas – claro, já que o seu partido, o PMDB, não é bom de voto para vencer sequer uma. Nas vezes em que chegou a presidir o país foi de forma indireta ou, então, assumindo o cargo por vacância. É, dois homens de bens que, no andar da carruagem, continuando a falar desatinos, vão terminar num manicômio judiciário. Não, não aceito Temer como o meu presidente, como o presidente do meu país, como o presidente do Brasil. E, se necessário for, haverei, sim, de tornar-me uma desobediente civil.

Nathalie Bernardo da Câmara


domingo, 24 de abril de 2016

UM FANTASMA RONDA A DEMOCRACIA, O FANTASMA DO FASCISMO (a continuação) ou SINDICATO DE LADRÕES


 “Moro num país tropical, abençoado por deus e bonito por natureza...”.

Jorge Bem Jor, músico e compositor Brasileiro.


Tudo teve início quando, há pouco mais de quinhentos anos, aparentemente do nada, por estas plagas aportaram algumas naus, nelas trazendo só gente do bem, inclusive degredados lusos, a escória de Portugal. Esses estranhos viajantes, falando uma língua ainda mais estranha – obviamente que ajudados por um gaiteiro, pois só queriam os nossos bens para continuarem bem –, alegaram avarias no mar e, aproveitando o “ensejo”, fizeram-se de desentendidos e, para causar boa impressão aos donos da casa, distraí-los, ganhar a sua confiança e serem bem recebidos, presentearam-nos com todo tipo de tranqueira que haviam trazido exclusivamente para tal fim – tudo premeditado! Não demorou muito, pois na “ilha” foram ficando – como se fosse a coisa mais natural do mundo –, os viajantes, já não mais “perdidos”, tornaram-se imigrantes, bem como os primeiros posseiros das terras recém “descobertas” – nascia aí, entre outras apropriações indébitas, a prática de grilagem no Brasil, além da propaganda enganosa, fundamentando as bases de futuros estragos no país. Desde então, sem aprender a lição, o brasileiro continua sendo um povo acolhedor, cordato e generoso. É tão gentil que, além de hospedar o Aedes aegypti, que, diga-se de passagem, é de origem egípcia, ainda abriga toda sorte de degenerados, os de fora e os de dentro, considerando que, mesmo no melhor dos cafezais, sempre haverá carunchos. No caso, certa corja de meliantes, uma quadrilha de bandidos, que, atualmente, travestidos de políticos, aproveitam-se das benesses que o poder confere, pelo menos, infelizmente, no que concerne ao Brasil. Só que, para a nossa indignação e desconforto, saqueiam, a seu bel prazer, tudo o que encontram pela frente, incluindo, entre outras, as riquezas naturais, que, embora não se saiba como – milagre ou proeza da física quântica –, ainda restam nesse vale de lama e de lágrimas...  


O Muro

 Foto: Lula Marques (11⁄04⁄2016).


No domingo 10 ⁄ 4, por ordem do governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB), uma estrutura metálica de 1,1 metros de extensão e dois de altura, com um corredor de separação de 80 metros de largura, começou a ser instalada por cerca de 30 presos em regime semiaberto no gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como forma de preservar a área central do Plano Piloto, tombada pela Unesco, a instalação tinha como objetivo evitar, no domingo seguinte (17), que confrontos ocorressem durante a votação da abertura do processo de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, garantindo a segurança dos presentes. O lado direito do “muro”, portanto, seria destinado ao favoráveis à abertura do processo de impeachment, enquanto o lado esquerdo ficaria reservado aos que se opunham. Obviamente que a decisão gerou polêmicas, com a instalação logo sendo chamada por muitos como o “Muro da Vergonha”, por incitar ainda mais a divisão da população; por outros como o “Muro do Impeachment” e pela imprensa internacional como o “Muro de Brasília”, numa alusão ao muro que, após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), dividiu Berlim, na Alemanha. Dias antes, contudo, da votação na Câmara dos Deputados, passantes e curiosos aproveitaram para fazer uso do “muro” de várias formas: uns jogaram vôlei; outros picharam a estrutura, na qual também afixaram cartazes com vários dizeres, inclusive um “bora se amar”, mensagem, aliás, que motivou um casal com ideologias políticas distintas a subir em escadas, cada um de um lado e, sobre o “muro”, beijarem-se – imagens logo “viralizadas” nas redes sociais. 


Fotos: Luisa Martins (twitter) e Antonio Cruz (Agência Brasil).


 Fotos: Antonio Cruz (Agência Brasil) e Gustavo Oliveira (Democratize).




Então, chegado o dia da votação, foi posta em prática a Operação Esplanada, executada, de forma integrada, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social, em conjunto com a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros Militar e o Departamento de Trânsito, que, no corredor de sepação, disponibilizaram serviços especializados de segurança e atendimento médico para eventuais emergências – ironicamente, a única coisa que, provavelmente, os organizadores do “evento” não previram foi a de que o gramado não era o local a ser reservado para os manifestantes pró e contra o impeachment, mas uma arquibancada qualquer...


Circo dos horrores?

 Cartum: Ademir Paixão.


Sei não, mas acho que um circo organiza-se melhor. Um cabaré também. Exemplo disso foi o prostíbulo criado pela rainha de Nápoles Jeanne D’Anjou (1326 - 1382) quando, lá pelos idos de 1347, ela morava em Avignon, na França: a criação da “instituição salutar” foi prevista por edital, incluindo as suas normas de funcionamento e de conduta, a fim de que a ordem fosse mantida. Caso contrário, o infrator sofreria severas sanções. Porém, de todas as normas, a principal era: “O lugar terá uma porta por onde todos possam entrar.” Tempos depois, viajando o mundo, a máxima chegou ao Brasil através dos colonizadores portuguesas, embora, nenhuma novidade, já distorcida, ficando conhecida como “Casa de mãe Joana”, que, segundo o folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), significa onde cada um faz o que quer, um lugar onde impera a desordem, bem como a desorganização e o desmando...


 Cartum: Ivan Cabral.


Então, todo esse preâmbulo para tentar resumir a votação da abertura de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, no domingo (17), classificando-o de “barraco”. Do início ao fim. Sim, uma sequência de cenas pavorosas, repulsivas, deprimente... Não seja por falta de adjetivos, já que, afinal, as cenas criaram um ambiente escatológico, onde só faltou “pinico”! Coisa feia, pessoas eleitas para representar o povo no Legislativo comportando-se de maneira tão inconsequente. Pareciam até um bando de moleques! De repente, muitos até com demência – uma aberração? Os horrores, contudo, tiveram início na sexta-feira (15), quando, às 8h55, começou a mais longa das sessões da Câmara dos Deputados...


 Cartum: Genildo Ronchi.


Isso mesmo, a mais longa das sessões da Câmara dos Deputados – ao todo, foram 42 horas e 47 minutos de “debates”, que se encerraram às 3h42 da madrugada do domingo, com a abertura dos “trabalhos” da votação presidida pelo presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prevista para o período da tarde. Nesse ínterim, houve quem aproveitou para reafirmar laços, alianças...


 Capa da revista Piauí – edição nº 112 – janeiro de 2016.


Uns para confabular...


 Cartum: Junião.


Outros para ensaiar um “coreto”...


 Cartum: Nani Lucas.


Teve até que foi barrado no baile!


 Cartum: Santiago Neltair Abreu.


O que causa indignação, contudo, é o fato de que quem tem orquestrado toda a conspiração contra a chefe do Executivo, que, inclusive, todos sabem, não cometeu crime de responsabilidade algum, é o deputado evangélico Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de um sem fim de crimes, sendo, atualmente, todos sabem, o “cidadão” brasileiro que possui a ficha criminal mais suja do país, ou melhor, mais suja do que pau de galinheiro, um autêntico 171.



“Ameaçar advogados e suas famílias, intimidar jornalistas e atrapalhar investigações são práticas mafiosas. Na camorra parlamentar do país, ninguém tem dúvidas sobre a identidade do CAPO...”.

Cartunista Renato Machado.



E não é só ele não! 


 Cartum: Nani Lucas.



Segundo o portal da Empresa Brasil de Comunicação, que colheu os dados na plataforma do Projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, dos 513 deputados federais inscritos para a votação da abertura de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, 298 foram condenados ou respondem a processos na Justiça, inclusive eleitoral, ou Tribunais de Contas, o que representa 58,09% dos parlamentares que compõem a Câmara dos Deputados (dados ao final desta postagem). Ah! Isso sem falar que, além do caráter nada idôneo da maioria dos parlamentares, ainda tem outro aspecto bastante preocupante, que são as ideologias nazifascistas de muitos...

 Cartum: Gilmar de Oliveira Fraga.


Então...


 Cartum: Alpino.



Pouco antes das 18h do domingo, Eduardo Cunha declarou aberta a votação, que durou quase dez horas e da qual participaram 511 dos 513 deputados federais inscritos para o pleito – pleito esse grotesco, sobretudo quando os “nobres colegas” tentaram “argumentar” a favor dos seus respectivos votos, ao vivo e a cores, perante todos... Prevendo, contudo, o absurdo do que se veria no período de votação, o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), advertiu: “Essa tarde nada tem a ver com combate à corrupção. Se tivesse alguma coisa a ver, o líder desse processo certamente não seria o deputado Eduardo Cunha”. Tanto não tinha que, diante da péssima repercussão que tiveram os “argumentos” dos parlamentares, um teste, que compilou as falas mais esdrúxulas para justificar o impeachment e que está circulando nas redes sociais, sugere que o leitor escolha a melhor das “pérolas”. Voilà!



 Cartum: Carlinhos Müller.


( ) “Pelo aniversário da minha neta”
( ) “Pelos fundamentos do cristianismo”
( ) “Pelos princípios que ensinei a minha filha”
( ) “Pelo Bruno e o Felipe”
( ) “Pelo meu neto Pedro”
( ) “Pelos maçons do Brasil”
( ) “Pelos produtores rurais, que se o produtor não plantar, não tem almoço nem janta”
( ) “Proposta de que criança troque de sexo na escola”
( ) “Pelo fim da rentabilização de desocupados e vagabundos”
( ) “Pela Família Quadrangular”
( ) “Pelos idosos e pelas crianças”
( ) “Pelo fim da Vagabundização remunerada”
( ) “Pela Minha mãe nega Lucimar…”
( ) “Pela renovação carismática”
( ) “Pelos médicos brasileiros”
( ) “Pelo fim da CUT e seus marginais”
( ) “Por amor a esse país”
( ) “Pelo fim dos petroleiros, digo, do Petrolão”
( ) “Pelos progressistas da minha família, Maria Vitória”
( ) “Pela República de Curitiba”
( ) “Em memória do meu pai”
( ) “Por causa de Campo Grande, a morena mais linda do Brasil”
( ) “Para me reencontrar com a história”
( ) “Pelo estatuto do desarmamento”
( ) “Pelo comunismo que assombra o país”
( ) “Pela nação evangélica”
( ) “Pelo povo destemido e pioneiro do estado de Rondônia”
( ) “Pelo resgate da auto estima do povo brasileiro”
( ) “Pela BR 429”
( ) “Pela minha esposa, pelo meu filho e minha filha”
( ) “Por Daiane, Mateus e Adriane”
( ) “Por todos os corretores de seguro”
( ) “Pela minha filha Manoela, que vai nascer”
( ) “Pela minha mãe, que está em casa, com os seus 93 anos”
( ) “Pelo meu neto e bisneto”
( ) “Em homenagem ao aniversário da minha cidade”
( ) “Pela minha mãezinha”
( ) “Pela paz de Jerusalém”
( ) “Pelo melhor estado, o Tocantins”
( ) “Em memória do meu irmão”
( ) “Pela minha mulher, que nesse momento luta pela vida”
( ) “Como diz Olavo de Carvalho, “O PT vai dar pt no Brasil: ‘perca’ total!”
( ) “Pelo setor gerador de renda, o setor agropecuário”
( ) “Pelo meu filho Breno e pela minha querida PM de São Paulo”
( ) “Pelos militares de 64”
( ) “Por Sofia e Luna e Guarulhos”
( ) “Sob as bênçãos do grande arquiteto do universo”
( ) “Pelos meus netos Guilherme, Eliza e Gabriel”
( ) “Pelo povo com nome no SPC”
( ) “Para não sermos vermelhos como a Venezuela e Coreia do Norte”
( ) “Por um pai de 78 anos, que me ensinou os princípios da palavra de Deus”
( ) “Pela Sandra, pela Érica, pelo Vítor, pelo Jorge e por meu neto que está chegando”
( ) “Pelo meu filho que carrega meu nome, Luis Lauro”
( ) “Pelo meu filho de 18 anos”
( ) “Pelos meninos do MBL, pelos evangélicos dessa nação e contra o Partido das Trevas”
( ) “Pelo meu neto Gabriel”
( ) “Pelo Meu Estado de SP, governado há 20 anos por políticos honestos do meu partido”
( ) “Pela minha filha, que tem 20 anos”
( ) “Pela minha mulher e pela minha filha, que são as minhas principais eleitoras”
( ) “Em homenagem às minhas únicas e verdadeiras riquezas, minhas filhas”
( ) “Pelo fim dos coronéis”


Resumindo...


 Cartum: Junião.



Então, seria redundante dizer que, em tempo real, tais “argumentos”, entre outros – uma performance surreal –, além do bate-boca e empurra-empurra contínuos, ou melhor, da baixaria, tudo tão decadente, que envolveu tal processo, fizeram os “excelentíssimos” deputados virarem motivo de chacota dentro e fora das redes sociais, nas ruas, praças, praias, botecos, em cada esquina, inclusive, nenhuma surpresa, chocando a imprensa internacional... 

 Cartum: Latuff.


Os cartunistas brasileiros, por sua vez, acostumados à indigesta política que é praticada no país, embora não menos indignados, refastelaram-se!


 Cartum: Alexandre Oliveira.


 Cartum: Samuca.


 Cartum: William Medeiros.


 Cartum: Alpino.


 Cartum: Duke.


 Cartum: Simanca.


Uma verborragia as “dedicatórias”, apenas confirmando o “nível” dos parlamentares: níveis emocionais, intelectuais, morais, mentais... – quando não moleques, com um déficit incrível de discernimento; quando não, desprovidos de ética, corruptos; quando não, insanos, alienados. Ou tudo junto, misturado. Na verdade, como se diz, analfabetos de pai e mãe, ou seja, em todos os sentidos. Porém, o mais grave de todo esse script, dessa película de quinta, superando até mesmo o resultado final da votação, com 367 oradores “posicionando-se” favoráveis ao impeachment e 137 contra, foi a “aparição surreal” do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que, ao “argumentar” o seu voto a favor do impeachment, fez apologia, entre outros disparates, à ditadura militar no Brasil (1964 - 1985) e à tortura, um crime de lesa-humanidade, no momento em que homenageou o coronel Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi (Destacamento de Operações Internas) de São Paulo, no período de 1970 a 1974, tornando-se, em 2008, o primeiro militar a ser reconhecido, pela Justiça, como torturador durante a ditadura. Morreu de câncer em 2015 – foi tarde. Diante, portanto, do discurso do seu adversário político-ideológico, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) não se conteve e, num gesto de repulsa, cuspiu em direção ao nazifascista – não acertou o alvo, mas o gesto gerou repercussão, igual repercutiu o discurso repleto de ódio e preconceito do asqueroso Bolsonaro.


 Cartum: Simanca.


Não deu outra! Dois dias depois, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Felipe Santa Cruz, afirmou que a entidade irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, se necessário, à Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, para pedir a cassação do mandato do parlamentar, bem como entrará com uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para que o discurso do parlamentar na votação do impeachment seja apreciado e que, por seu teor, ele sofra as devidas penalidades previstas por lei. Enquanto isso, presa política no anos setenta, inclusive torturada pelo coronel Ustra, a presidenta Dilma Rousseff, em conversa com correspondentes de jornais estrangeiros, criticou Bolsonaro, dizendo que sobre Ustra recai não só acusação de tortura, recai também acusação de morte: “É terrível ver alguém votando em homenagem ao maior torturador que esse país já conheceu. É lamentável.”


 Cartum: Latuff.


No dia 20, foi a vez do Instituto Vladimir Herzog emitir uma nota de repúdio em relação as declarações do político, pedindo que todos os parlamentares o “expulsem de seu convívio” e que o impeçam de continuar ofendendo e envergonhando o Brasil. Nesse mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República informou que, após quase 18 mil reclamações recebidas contra o teor da fala de Bolsonaro, decidiu instaurar um procedimento interno para investigar o caso. Que assim o seja, pois qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso não suporta mais ter de aturar as sandices desse rapaz. No bojo, então, das homenagens dos parlamentares na votação em questão, a salvação da lavoura chegou do Nordeste...




Piauiense arretado, o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) saiu lá do Ceará, num calor de tirar o juízo, mas que não tirou o seu, cuja simplicidade sertaneja e luvas de vaqueiro foram capazes de ironizar com a hipocrisia dos golpistas, lavando a alma de todos os que, pasmos, na arquibancada, agonizavam diante do delírio coletivo instalado no picadeiro. Diante do microfone, foi logo dizendo: “Calma, gente! Eu estou emocionado. Eu pensei que vinha para uma reunião política, mas vim para o encontro de bons maridos e de bons pais”, que na fala, nenhum era desonesto, mas que já tinham estado nas páginas policiais dos jornais, menos na sociais. Em seguida, em nome de 54 milhões de brasileiros, votou contra o golpe. “Viralizou”, né, nas redes sociais? E foi parar nos chamados “Trending Topics” do Twitter, ou seja, os assuntos mais comentados no microblog. Enquanto isso, ao final da votação, cujo resultado, infelizmente, era previsível...



Cartum: Edgar Vasquez.


Na manhã da segunda-feira (18 ⁄ 4), contudo, já tendo sido aprovado o processo de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff....


Cartum: Edgar Vasquez.


É, não é à toa que a educação é o termômetro que indica o nível de desenvolvimento de um povo – povo esse que, um dia antes, ao ficar de fora das dependências da Câmara dos Deputados, na Esplanada dos Ministérios, e ainda separado por um “muro”, sujou bem menos do que um bando de marmanjos emporcalhados que, de há muito, perdeu o senso do ridículo. O “muro”, por sua vez, que custou aos cofres públicos R$ 7.850, sendo “derrubado”, pois, afinal, não tinha mais serventia, apesar de o país continuar dividido....


Cartum: Gilmar de Oliveira Fraga.



Crianças seguindo o mau exemplo de certos adultos...


 Cartum: Lute.


Bandido pobre, sem foro privilegiado, achando tudo legal, apostando na impunidade...


 Cartum: Duke.


Ninguém sem entender nada... 


Cartum: Duke.


Uns entrando em depressão... 


 Cartum: Genildo.


Outros simplesmente tristes, preocupados com os destinos da Nação...


 Cartum: Junião.


Certo alento, contudo, é que, ao longo da semana, pudemos observar certos episódios interessantes, tipo os envolvendo certos (as) parlamentares que, fazendo-se passar por paladinos da Justiça, combatendo a corrupção, já estão com os seus dias de liberdade contados. E a lista é grande!


 Cartum: Ivan Cabral.


Sendo o ideal de muita gente que, nessa leva, vá, também, certo degenerado.

 Cartum: Duke.


Falando “nisso”, ainda tivemos, ao longo da semana, a oportunidade de observar a perplexidade do mundo diante da triste realidade do Brasil, uma jovem democracia que, mal tendo saído de uma ditadura, está sendo ameaçada por um golpe branco, capitaneado, paradoxalmente, por um dos maiores bandidos que o país já conheceu. São povos, governos outros, todos compadecendo-se da má sorte do Brasil – a imprensa internacional, por sua vez, diferentemente do que ocorre cá por estas bandas, não se humilha em troca de favores e, num gesto de solidariedade nunca antes visto, denuncia o golpe, apoiado, inclusive, pelas grandes empresas de comunicação do país. 


 Cartum: Laerte.

  

E embrulhando ainda mais o estômago dos golpistas, a longa entrevista da CNN Internacional com o repórter norte-americano Glenn Greenwald, ganhador do prêmio Pulitzer Prizes, acerca da política brasileira. Do Rio de Janeiro, ele narrou, em detalhes, e para todo o mundo ficar sabendo, o que realmente está acontecendo no Brasil, criticando, ao final, aqueles que querem dá um golpe na democracia brasileira: “Eles saíram da ditadura apenas em 1985, e é realmente perturbador olhar para eles brincando com a democracia desse jeito”, relatou Greenwald à âncora da emissora Christiane Amanpour (link para a entrevista ao final da postagem). Já a revista britância The Economist, que circulou no dia 21, data de Tiradentes (1746 - 1792), tido como o herói traído da Inconfidência Mineira (1789), estampou, na capa, um apelo ao planeta.



Cartunistas brasileiros, por sua vez, associaram a morte brutal de Tiradentes ao “estrangulamento” da Constituição Brasileira e ao da democracia no país.


 Cartuns: Paulo Stocker e Ademir Paixão.


Uma semana agitada, ainda mais porque a presidenta Dilma Rousseff esteve na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, participando, no Dia da Terra (22), da assinatura do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, um acordo universal. E teria direito à voz durante a sessão de abertura do evento. Porém, foi diplomata, apenas mencionando, e ao final da sua fala, que, atualmente, o Brasil passa por um grave momento.


Foto: Roberto Stuckert Filho⁄PR


“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir quaisquer retrocessos. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim a sua solidariedade.”

Na entrevista coletiva, contudo, ao final do dia, ela confirmou aos jornalistas que estava, sim, em curso, um golpe no Brasil: “Golpe é um mecanismo pelo qual você tira pessoas do Poder por razões que não estão expressas na lei. Não há crime de responsabilidade contra mim. Os golpes militares se deram rompendo a Constituição. E no meu caso há um outro jeito de se dar o golpe: basta a mão (do voto dos congressistas), que é extremamente poderosa. Com ela você rasga a Carta Constitucional e está dado o golpe. Você rasga os princípios democráticos, está dado o golpe.” Por fim, ela disse que, nas próximas semanas, irá empenhar-se para defender o seu mandato, garantido por 54 milhões de votos dos eleitores brasileiros.


A coisa é mais ou menos assim...

 Cartuns: Ademir Paixão e Nani Lucas



 
 Charge: Latuff.



 Cartum: Vitor Teixeira.


Epa!

#NãoVaiTerGolpe
#PeloFimDoForoPrivilegiado
#ForaCunha
#DilmaFica

E os degenerados golpistas que vão catar coquinho noutra freguesia... 


 Cartum: Alpino.


Que assim o seja, com a democracia retomando o seu curso, já que, afinal, em 2018, terão eleições presidenciais – oportunidade para quem quiser, e estiver apto para tal, candidatar-se. O que não está correto é querer, por interesses escusos, sabotar o direito de governar de uma presidente eleita democraticamente por 54 milhões de votos. De qualquer modo, apesar do meu otimismo, o fato é que as minhas manhãs têm sido assim...


 Cartum: Odyr.


Mas de uma coisa sei...




Nathalie Bernardo da Câmara


Em tempo:
Link para uma reportagem sobre a votação da abertura de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, no domingo (17), contendo a lista, nominal, de todos os deputados que votaram a favor do impeachment da chefe do Executivo, dos que votaram contra, dos que se abstiveram e dos ausentes durante a sessão, publicada pelo portal da Empresa Brasil de ComunicaçãoAgência Brasil de notícias: http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/cerca-de-60-dos-deputados-que-julgaram-dilma-tem-pendencias-na-justica

Entrevista com do repórter norte-americano Glenn Greenwald a CNN Internacional

Link para a postagem Um fantasma ronda a democracia, o fantasma do fascismo, ou seja, a primeira parte desta, publicada neste blog no dia 29 de março de 2016: http://abagagemdonavegante.blogspot.com.br/2016/03/um-fantasma-ronda-democracia-o-fantasma.html