https://www.youtube.com/watch?v=tWCHvmldk6g
Neste domingo, (04/01/2026), um dia após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do seu presidente, Nicolás Maduro por forças de elite norte-americanas, o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano tomou uma decisão “que ecoará por décadas nos anais do Direito Internacional”, disse, no vídeo acima, o jornalista investigativo independente e internacional brasileiro e analista geopolítico Pepe Escobar, ou Pepe Café. Segundo ele, “o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano declarou a ausência involuntária de Maduro e transferiu, constitucionalmente, todos os poderes presidenciais para a vice-presidente Delcy Rodríguez. Não foi um golpe, foi um anti-golpe. Uma manobra jurídica que deixou Washington em estado de choque completo”. Se Trump pensou em controlar as reservas petrolíferas da Venezuela, transformando o país “no maior posto de gasolina do hemisfério”, equivocou-se redondamente. Hoje, às 14h30, ao assumir a presidência-interina, em pronunciamento ao povo venezuelano, a economista, ex-chanceler, ex-presidente da Assembleia Constituinte do país, Delcy Rodríguez repetiu o que dissera ontem: “Venezuela não será colônia de nenhum país”, palavras que, segundo Pepe Café, “resumem 200 anos de luta anticolonial”. E não para por aí. “Rodríguez conhece cada parafuso da máquina estatal venezuelana”, além de também conhecer paralelepípedo de Caracas. “O que Rodríguez compreendeu e Trump aparentemente não, é que Venezuela 2026 não é Iraque 2003”. E uma resposta da presidente-interina “foi diplomática devastadora”, segundo Pepe, ou seja: “O senhor Trump pode governar os seus campos de golfe. Venezuela será governada pelos venezuelanos”, com a frase já estampada em murais por toda a Caracas.
No vídeo acima, portanto, Pepe Café analisa as primeiras 30 horas após o sequestro de
Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e como Delcy Rodríguez transformou uma
operação de regime change (mudança de regime) numa oportunidade
histórica de resistência antiimperialista, ainda examinando em profundidade a
estratégia de “presidência distribuída” de Rodríguez, o apoio de Rússia e China
a Caracas, e como Venezuela se tornou o primeiro laboratório de resistência
eficaz contra a hegemonia americana no século XXI. A análise revela como uma
mulher de 55 anos conseguiu mobilizar 4,5 milhões de milicianos populares e
criar redes de defesa territorial que transformaram o país num pesadelo
logístico para qualquer ocupação militar externa. Esta é a história não contada
de como 30 horas mudaram o equilíbrio geopolítico global e marcaram o início do
fim da era unipolar americana.
PETRÓLEO À VISTA? A INVASÃO DOS ESTADOS
UNIDOS À VENEZUELA...
Arte: Renato Aroeira
“A ganância perde tudo
ao pretender ganhar tudo”.
Jean de La
Fontaine
(1621-1695),
poeta e fabulista francês.
O título acima seria o deste artigo antes
da divulgação do vídeo do jornalista Pepe Escobar com a reviravolta venezuelana
após a invasão dos EUA ao país. Desse modo, vejamos abaixo o que aconteceu no
sábado, 3/1/2026:
Segundo a CNN Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o que chamou de “operação brilhante” em uma breve entrevista por telefone ao jornal The New York Times na manhã deste sábado (3), pouco depois de anunciar que forças especiais de elite dos EUA tinham capturado e retirado Nicolás Maduro da Venezuela após tropas militares norte-americanas invadirem o país. Ironicamente, o tírulo do editorial do próprio The New York Times também deste sábado (3), foi: “Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente”.
De acordo com o G1, um trecho do editorial,
assinado pelo Conselho Editorial, descrito como “um grupo de jornalistas de
opinião cujas visões são fundamentadas em conhecimento especializado, pesquisa,
e certos valores consolidados”, tratando-se de “uma entidade separada da
Redação”, lemos o seguinte:
“O Sr. Trump
ainda não ofereceu uma explicação coerente para as suas ações na Venezuela. Ele
está empurrando o nosso país para uma crise internacional sem razões válidas.
Se o Sr. Trump quiser argumentar o contrário, a Constituição [americana] define
o que ele deve fazer: recorrer ao Congresso. Sem a aprovação do Congresso, as
suas ações violam a lei dos EUA”.
Só que, resumindo, o que ocorreu de
madrugada não foi uma “operação brilhante” nem, muito menos, um ataque, mas, literalmente,
uma invasão – sim, uma invasão –, decidida por Trump e apoiada por seu staff
e pela CIA, mas sem a aprovação do Congresso dos EUA, que ele considerou “não
ser confiável”, a ponto de, ao longo do sábado, de acordo com a Euro News,
senadores revelaram em redes sociais que não foram consultados e que a “operação
militar em larga escala” na Venezuela não obteve a aprovação da instituição.
À tarde, em entrevista coletiva em Mar-a-Lago, o seu resort em Palm Beach, na Flórida, Trump
afirmou que o governo norte-americano irá “comandar” a Venezuela até a
realização de “uma transição” de governo alinhada com os Estados Unidos. Enquanto
isso, a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, ocupa a presidência interinamente, mas,
em pronunciamento na TV estatal venezuelana, em Caracas, capital venezuelana, ela
negou que concordara com o controle norte-americano do seu país, segundo ainda declarou
Trump em sua entrevista.
Por sua vez, Rodríguez disparou
que a invasão à Venezuela e a captura do seu presidente e da primeira-dama,
Cilia Flores, caracterizaram-se numa “agressão sem precedentes”, que ambos
devem ser libertados e que ela tem o dever de salvaguardar a independência da Venezuela,
a sua soberania e a sua integridade territorial, alegando que o seu país,
apesar de atacado, não será colônia de nenhum outro. Enquanto isso, Maduro e Flores
encontram-se no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, em Nova York.
Para Trump, o casal já era formalmente
acusado “por sua campanha de narcoterrorismo mortal contra os Estados Unidos”
há anos, além de classificar o líder chavista como “um ditador fora da lei” desde
2020 – posição corroborada pelo secretário de Estado Marco Rubio, um dos
principais defensores da invasão à Venezuela. Já a procuradora-geral dos EUA, Pam
Bondi, informou que, em breve, Maduro e Flores devem comparecer a um tribunal
federal de Manhattan para responderem pelos crimes a ele atribuídos.
Porém, ainda em sua coletiva de imprensa,
Trump citou a Doutrina Monroe, de 1823. Declarada pelo então presidente dos
Estados Unidos James Monroe, tal doutrina não somente moldava a política
externa norte-americana com um viés expansionista, mas também com eventuais
intervenções militares na América Latina ao longo do tempo, entre outros
aspectos – o que não deixa de ser uma preocupação para o mundo, já que Trump
afirmou que, agora, tal doutrina integra a “nova estratégia de dominação
regional dos Estados Unidos”.
Desse modo, portanto, Trump declarou-se,
ele próprio, um autocrata, indiferente ao fato de que a América Latina não é um
quintal – nem nunca o foi – dos Estados Unidos. Por outro lado, as
acusações contra Maduro e Flores e, em seguida, o julgamento de ambos, são
apenas uma nuvem de fumaça para desviar a atenção da opinião pública do
verdadeiro foco dos interesses de Trump, embora nem precisaria escamotear a
verdade, porque ele mesmo deixou bem explícito as suas intenções ao invadir a
Venezuela e capturar o seu presidente.
Isto é, Trump tenciona não somente “comandar”
o país latino, mas controlar as suas reservas de petróleo, as maiores do mundo,
além de ainda ter destacado em sua coletiva o retorno das companhias
petrolíferas norte-americanas à Venezuela, expulsas do país no início de 2000 –
o motivo por ele ter dito que a “operação brilhante”, foi “em parte” motivada
pelo que considera uma “dívida histórica” da Venezuela com os EUA. E segundo O
Globo destacou na fala de Trump:
— Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as
maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a
infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro
para o país — disse Trump. — E estamos prontos para lançar um segundo ataque,
muito maior, se necessário.
Ora, quem, no mundo, não sabia que essa
era a única verdade que motivou Trump a invadir a Venezuela. Só que, mesmo sem
admitir isso, ele insistiu e continua insistindo em vomitar justificativas
estapafúrdias para a invasão por parte de um país cuja ganância apenas aumenta
com o tempo, desenfreada, no caso, pelo petróleo produzido pela Venezuela –
gesto que violou todos direitos internacionais, inclusive a integridade de um
país independente, um desrespeito à soberania alheia, algo que, para os EUA, sempre
foi irrelevante, um mero “detalhe” ...
Um comunicado, entretanto, atribuído a
Maduro, foi emitido por órgãos oficiais após a invasão e, no caso, divulgado
pela CNN Brasil:
"A
República Bolivariana da Venezuela rejeita, condena e denuncia perante a
comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo
dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana.
(...)
Este
ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas,
particularmente dos artigos 1.º e 2.º, que consagram o respeito pela soberania,
a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.
Esta
agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na
América Latina e no Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de
pessoas.
O
objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da
Venezuela, particularmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar a
independência política da nação pela força.
(...)
Isto não faz distinções políticas, é hora de haver unidade nacional, acima de
quaisquer diferenças ideológicas de qualquer espécie. Hoje o nosso país e a
nossa identidade estão ameaçados. A sua e a minha Venezuela, e nós a
defenderemos até as últimas consequências, como já fizemos antes. (...)”.
Sem falar que, por exemplo, para o
secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestou
forte preocupação sobre a invasão dos EUA à Venezuela, alegando, através do seu
porta-voz, que a mesma abre um “precedente perigoso” no cenário internacional.
Segundo a ONU, o direito internacional, incluindo a Carta da entidade não foram
respeitados, reiterando o que Maduro argumentou em seu comunicado.
Enquanto isso, os países dividem-se em
suas opiniões a respeito da invasão: uns considerando-a legítima; outros veementemente
repreendendo-a e defendendo não somente a Venezuela, mas, sobretudo, o direito
de não importa qual nação exercer a sua soberania. E é aí que me recordo de uma
reportagem do Jornal Nacional da noite do sábado (3) sobre os eventos do
dia mencionados acima, durante a qual, foi divulgada uma manifestação de
protesto contra a invasão dos EUA e em defesa da Venezuela.
“Nem uma gota de
petróleo para os Estados Unidos”, disse uma idosa venezuelana protestando em
Caracas após assistir o seu país ser invadido pela força bruta de um déspota...
(Nathalie Bernardo da Câmara).
***
Abaixo, um lúcido artigo sobre o presente tema abordado por este blog e que me foi enviado por seu autor, o advogado, ex-funcionário da Petrobrás aposentado e ex-vereador de Natal (RN) George Câmara.


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