terça-feira, 13 de abril de 2010

ALELUIA, SENHOR, ALELUIA!

PARTE I

Ariano manso?


“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás...”.

Che Guevara (1928 - 1967)
Médico, político e cidadão cubano nascido na argentina

 
Paris, França. Há quarenta e dois anos, no dia 13 de abril de 1968, eu nascia, às 9h10, na Cidade Luz. Era um Sábado de Aleluia, que, aliás, embora eu não seja nada católica, não comemorando nenhum dia considerado santo, inspirou o título deste post. Porém, apesar do meu ateísmo indefectível, ressalto que a escolha do título nada teve de ironia, desrespeito ou deboche para com os que são religiosos. Foi apenas, digamos, um estalo de criatividade. Afinal, quando resolvi escrever este post, tratei de pesquisar fatos, situações e episódios ocorridos no dia, no mês e no ano do meu nascimento, a fim de basear os meus escritos, ilustrando-os, quiçá até poeticamente.

O meu nome, por exemplo, significa Nascimento. E foi até uma escolha democrática. Sim, porque Nathalie – nome francês – não somente contempla a França, mas, também, Natal, capital do Rio Grande do Norte, no Brasil, onde os meus pais moravam antes de irem estudar em Paris. Desse modo, desde a minha concepção, em Natal, até o meu nascimento, em Paris, onde o mundo com os seus mistérios e enigmas descortinou-se diante dos meus olhos, tenho, indiscutivelmente, um pé no Brasil e outro na França – vai ver que é por isso que adoro avião, já que, ainda sendo uma coisinha de feto, insignificante, sem nenhuma perspectiva, eu viajei em um.

É verdade. Sinto-me até em casa quando estou dentro de um avião, sendo, provavelmente, a maior fã que o inventor e aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont (1873 - 1932) já teve. O Atlântico, por sua vez, além das vezes que já o atravessei voando, queria cruzar de navio. Bom! Voltando ao meu nascimento... Como acredito que a energia do universo – incluindo aí a dos planetas e a de demais astros –, nos influencia, fiquei intrigada ao descobrir que, no dia do meu nascimento, a lua estava cheia e houve um eclipse total do astro. Um fenômeno, inclusive, considerado raro, já que só ocorre quando lua, terra e sol estão alinhados.

Daí que, de há muito, gostaria de saber se a ocorrência de tal fenômeno teria provocado algum efeito em meu universo interior – se é que um dia o saberei –, a exemplo das vibrações, emitidas por tal ou qual constelação, no momento em que nascemos e que, portanto, nos influenciam. Afinal, é tudo uma questão de sintonia. De qualquer modo, passando da astronomia à astrologia... Nativa de Áries, o primeiro signo do Zodíaco, que contempla os nascidos entre o dia 21 de março e 20 de abril, sou regida por Marte. Áries, contudo – pertenço ao 3° decanato –, é simbolizado pelo carneiro e, com Leão e Sagitário, forma a triplicidade dos signos de elemento fogo.

Um dos signos cardinais – os demais são Câncer, Libra e Capricórnio –, Áries, figurativamente, representa o princípio de todas as coisas e o início das estações do ano. Porém, dos doze signos do zodíaco, ele é o único de natureza impulsiva, agindo primeiro para depois refletir, e é a iniciativa em pessoa, a coragem, sendo, ainda, o mais determinado e o mais destemido. Ao mesmo tempo, o ariano não admite injustiças e costuma defender os oprimidos. Quanto à roda zodiacal... Por possuírem o mesmo eixo vibratório, Áries e Libra, que é regido por Vênus e tem como elemento o ar, são signos opostos que, atraídos irresistivelmente um pelo outro, se complementam.

Áries = força ativa (yang)
Libra = força passiva (yin)

Assim, por sua altivez, coragem e ousadia, Áries é o único signo do Zodíaco capaz de transmitir autoconfiança e segurança a Libra, que deve aprender a ser mais decidido e autônomo para tomar iniciativas que superem as suas limitações, enquanto Libra, cujo símbolo é a balança, embalada pela temperança, é o único signo que garante a Áries o equilíbrio necessário para controlar a sua impulsividade, arrogância e falta de tato, tornando-se ambos sinônimos de harmonia – fundamento do eixo que os une.

Quanto a Áries... Uma das menores constelações, Áries conta com apenas uma única estrela brilhante, Hamal, que, em árabe, significa Cabeça de Carneiro.

 
Em um roteiro de ficção que escrevi tempos atrás, intitulado Olhos em chamas, mas que permanece inédito, embora registrado, a personagem de uma astrônoma, em certo momento da narrativa, tece alguns comentários a respeito da constelação e do signo de Áries. Assim, em função de um dos temas deste post, decidi transcrever uma das suas falas...



― “Outrora, antes do nascimento do Cristo, o Sol evoluía no início da Primavera em Áries, de sorte que o Ponto Vernal, ou seja, o Ponto Primaveril chamava-se Ponto de Áries. Assim, no início da Primavera, a constelação de Áries se levanta e se põe com o Sol, sendo, portanto, diurna e invisível. No Outono, torna-se noturna, ou seja, visível de noite. Curiosamente, quando o Sol e a Lua se encontram, ele em Áries, ela em Balança, constelações opostas, e ambos estão na mesma linha do horizonte, um se levantando, o outro se pondo, eles fazem cintura do horizonte, em equilíbrio com o Zênite. Infelizmente, além de quase imperceptível, o fenômeno não dura muito tempo, já que o Sol e a Lua mudam imediatamente de hemisfério. Um elemento de força capaz de transformar uma situação, um obstáculo material ou, por extensão, um obstáculo moral, Áries preside a aurora da Primavera, sendo por isso que, no Equinócio da Primavera, ponto da órbita da terra onde se registra igual duração do dia e da noite e quando as almas turvas renascem, todos devem aproveitar e tentar recomeçar um novo ciclo, considerado a boa estação: primus tempus”.


Ah! Antes que eu esqueça:
nunca traia um ariano...


arianos

Obviamente que é para lá de impossível elaborar uma lista contendo todos os nativos de Áries do mundo, bem como os dos demais signos. Porém, devido a minha proposta para este post, limito-me, a título de ilustração, a mencionar apenas alguns dos arianos considerados célebres, mas apenas aqueles com os quais simpatizo, estejam vivos ou mortos. Vejamos...


MARÇO

21 – Paloma Duarte (1977), atriz brasileira; Sebastian Bach (1685 - 1750), compositor, organista e violinista alemão.

Barroco por excelência, Bach não teve a sua genialidade reconhecida em seu tempo. Morre praticamente cego, caindo, aos poucos, no esquecimento. A Paixão Segundo Mateus, contudo, considerada a sua maior obra-prima e a maior de toda a música ocidental, foi redescoberta pelo compositor e maestro alemão Felix Mendelssohn (1809 - 1847). O compositor austríaco Amadeus Mozart (1756 - 1791), por sua vez, ao ouvir a obra, exclamou: “Que é isto? Parece que toda alma se concentra nos ouvidos e coração! Quanto nós podemos aprender com Bach!”.

22 – Akira Kurosawa (1910 - 1998), cineasta japonês; Fanny Ardant (1949), atriz francesa; Marcel Marceau (1923 - 2007), mímico francês.

23 – Joan Crawford (1905 - 1977), atriz norte-americana; Ray Charles (1930 - 2004), compositor, cantor e pianista norte-americano.

 

Cego ainda na infância por um glaucoma não-diagnosticado e vítima de uma segregação racial implacável, o Rei do Soul, como Charles ficou conhecido, publicou, em 1978, em parceria com o biógrafo norte-americano David Ritz, a sua autobiografia, intitulada Brother Ray: Ray Charles’ own story. No livro, Charles refere-se à importância da música em sua vida: “A música era parte de mim... Como meu sangue. Era uma força dentro de mim, quando aparecia em cena. Era uma necessidade, como a comida e a água”.

24 – Padre Cícero (1844 - 1934), religioso brasileiro.

25 – Elton John (1947), compositor e cantor britânico; Hipólito José da Costa (1774 - 1823), jornalista e diplomata brasileiro.



Considerado o patriarca da imprensa brasileira, Hipólito José da Costa (1774 - 1823) fundou, em 1808, o jornal Correio Braziliense, embora publicado em Londres, que circulou até 1823. Primeiro periódico brasileiro, também foi o primeiro jornal em língua portuguesa a circular sem censura. Além disso, o jornalista ocupou, ainda, a cadeira de n° 17 da Academia Brasileira de Letras - ABL, fundada em 1897.

Leila Diniz (1945 - 1972), atriz brasileira;
Simone Signoret (1921 - 1985), atriz francesa nascida na alemã.

27 – Quentin Tarantino (1963), cineasta norte-americano; Renato Russo (1960 - 1996), compositor e cantor brasileiro; Sarah Vaughan (1924 - 1990), cantora norte-americana.



Uma das maiores vocalistas do jazz moderno, juntamente com as também norte-americanas Billie Holiday (1915 - 1959) e Ella Fitzgerald (1917 - 1996), a Divina Sarah incursionou pela música brasileira, ousando, inclusive, cantar, em português, composições de Milton Nascimento, Dorival Caymmi (1914 - 2008) e Tom Jobim (1927 - 1994), entre outros.

Lima Duarte (1930), ator brasileiro. 

28 – Zizi Possi (1956), compositora e cantora brasileira.

29 – Christopher Lambert (1957), ator norte-americano;

30 – Celine Dion (1968), cantora canadense; Goya (1746 - 1828), pintor espanhol; Van Gogh (1853 - 1890), pintor holandês; Vera Zimmermann (1964), atriz brasileira.


Aos dezessete anos de idade, evidentemente que por ser uma ariana do bem, além do seu carisma e beleza, Vera Zimmermann inspira o músico brasileiro Caetano Veloso a compor Vera gata, eternizando-a melodicamente ao incluí-la em seu vinil Outras palavras, lançado em 1981.

31 – Octavio Paz (1914 - 1998), escritor mexicano e Prêmio Nobel de Literatura de 1990; René Descartes (1596 - 1650), filósofo, físico e matemático francês;



ABRIL


01 – Jimmy Cliff (1948), compositor e cantor jamaicano; Moreira da Silva (1902 - 1992), compositor e cantor brasileiro.

02 – Chico Xavier (1910 - 2002), médium brasileiro.

 

No ano do centenário de nascimento do célebre divulgador da doutrina espírita no Brasil, que psicografou mais de quatrocentos e cinqüenta livros, a Federação Espírita Brasileira, em sua homenagem, produziu uma agenda para 2010. Os Correios e Telégrafos do Brasil, por sua vez, lançaram um selo comemorativo reverenciando a data. Baseado na biografia As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior, estreou, nacionalmente, no dia do aniversário do médium, Chico Xavier – O Filme, dirigido e produzido por Daniel Filho;



Emile Zola (1840 - 1902), escritor francês; Hans Christian Andersen (1805 - 1875), escritor dinamarquês.Torre Eiffel (1889), edificação considerada, à época em que foi construída, a mais alta do mundo, com trezentos metros de altura, acrescidos de mais vinte e quatro metros, altura da bandeira da França posta em seu cume. Projetada pelo engenheiro francês Gustave Eiffel (1832 - 1923), a Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal, em Paris, no ano de 1889, sendo inaugurada no dia 31 de março. Levando dois anos, dois meses e cinco dias para ser concluída, a Torre Eiffel é o símbolo da Cidade Luz e um ícone da arquitetura moderna, pesando, inclusive, mais de dez mil toneladas, sua escada tem 1.665 degraus, mais de dezoito mil barras de metal e 2,5 milhões de rebites. Em 1930, contudo, a Torre Eiffel perde o status de ser a estrutura mais alta do mundo para o Chrysler Building, em Nova York, com trezentos e dezenove metros de altura.




No dia 23 de outubro de 1906, ao redor da Torre Eiffel, chamada de a Grande Dama de Paris, Santos Dumont realiza o primeiro vôo mecânico do mundo, devidamente homologado, alcançando a distância de 60m, em vôo nivelado, a uma altura que variava entre dois e três metros, com duração de sete segundos, arrebatando uma taça e 3.000 francos do Prêmio Archdeacon. Criado em Julho de 1906 pelo advogado francês Ernest Archdeacon (1863 - 1950), que ficou conhecido como o Mecenas da Aviação, o prêmio seria destinado ao primeiro aeronauta que conseguisse voar por mais de 25 metros em um vôo nivelado. Por seu feito, Santos Dumont foi considerado o Pai da Aviação, sobretudo por ter cumprindo todas as normas da Federação Aeronáutica Internacional - FAI e do Aeroclube da França para a realização de um vôo.



03 – Doris Day (1924), atriz e cantora norte-americana; Maria Clara Machado (1921 - 2001), escritora, dramaturga e diretora teatral brasileira; Marlon Brando (1924 - 2004), ator norte-americano.

 
04 – Cazuza (1958 - 1990), compositor e cantor brasileiro.





No dia 7 de julho de 2010 fará vinte anos da morte de Cazuza, que, típico ariano, certa vez disse que “Áries não bate na porta. Arromba e depois vê o que tem...”;

Marguerite Duras (1914 - 1996), escritora e cineasta francesa nascida no Vietnã.



05 – Bette Davis (1908 - 1989), atriz norte-americana; Gregory Peck (1916 - 1991), ator norte-americano.


06 – Cacilda Becker (1921-1969), atriz brasileira; Raphael (1483 - 1520), pintor italiano.


07 – Billie Holiday (1915 - 1959), cantora norte americana; Francis Ford Coppola (1939), cineasta norte-americano.



08 – Sidarta Gautama [Buda] (563 - 483 a.C), líder religioso indiano.


09 – Charles Baudelaire (1821 - 1867), escritor francês.






Considerado um poeta maldito, Baudelaire também é tido como um divisor de águas que irrompeu na literatura francesa em meados do séc. XIX. O livro As Flores do mal, publicado em 1857, é considerado a sua obra-prima;

Jean-Paul Belmondo (1933), ator francês; Mazzaropi (1912 – 1981), ator brasileiro.


12 – Camila Morgado (1975), atriz brasileira; Chico Anysio (1931), ator e comediante brasileiro; Walter Salles (1956), cineasta brasileiro.

13 – Dona Ivone Lara (1921), compositora e cantora brasileira; Samuel Beckett (1906 - 1989), dramaturgo e escritor irlandês.







Considerado um dos principais autores do séc. XX, Samuel Beckett tem obras de sua autoria traduzidas para mais de trinta idiomas. Com a peça Esperando Godot, apresentada pela primeira vez no dia 5 de janeiro de 1953, em Paris, conquista a fama, consagrando-se o criador do Teatro do Absurdo. Em 1969, Beckett ganha o Prêmio Nobel de Literatura – presente para quem dedicou a vida a escrever poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão;

Thomas Jefferson (1743 - 1826), político norte-americano.


14 – Aluísio Azevedo (1857 - 1913), caricaturista, jornalista, diplomata e escritor brasileiro. Membro-fundador da ABL, ocupou a cadeira de n° 4.

15 – Claudia Cardinale (1939), atriz italiana nascida na Tunísia.

16 – Charles Chaplin (1889 - 1977), mímico, roteirista, ator, diretor e produtor britânico. Patrocinador de todos os seus filmes, considerava-se um cidadão do mundo.







Um dos mais autênticos artistas do séc. XX, transitando com desenvoltura do cinema mudo ao falado, Chaplin conjuga o burlesco, a sátira e a emoção em seus trabalhos. O filme O Vagabundo (The Tramp), de 1915, torna-se um marco em sua carreira e Carlitos, como é conhecido no Brasil (na França e em países francófonos é Charlot), a mais famosa das suas personagens: uma caricatura de um andarilho que, apesar de pobretão, comporta-se como um gentleman, sempre a portar um fraque preto e esgarçado, calças e sapatos desgastados, mais largos que as suas medidas, um chapéu-coco, uma bengala e um minúsculo bigode, a sua marca registrada. No filme O Grande ditador (The Great dictator), de 1940, a sua primeira obra cinematográfica falada e uma das mais polêmicas, Carlitos ataca a onda de perseguições raciais na Europa, destilando, em especial, uma crítica mordaz ao ditador Hitler (1889 - 1945), político alemão nascido na Áustria, que, infelizmente, também é nativo de Áries. Só que um ariano do mal, um fruto podre ou, ainda, alguma aberração genética. Mas, bom! Em 1953, Chaplin é contemplado com o Prêmio Internacional da Paz (International Peace Prize), distribuido pelo World Peace Council; em 1962, recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Oxford e, em 1971, é condecorado pela Légion d’Honneur francesa. Em 1972, vinte anos depois de confiscado o seu visto americano, Chaplin é convidado a retornar aos Estados Unidos, já que, na cerimônia de entrega do Oscar, ele seria homenageado com um prêmio honorário, não somente pelo conjunto da sua obra, mas, também, por suas inúmeras contribuições à sétima arte. À oportunidade, é ovacionado – a maior aclamação já vista em toda a história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Três anos depois, em 1975, ele recebe uma honraria concedida a poucos: é condecorado Cavaleiro do Império Britânico pela rainha Elizabeth II, que lhe concede o título de Sir. Para Charles Chaplin: “O caminho da vida pode ser o da liberdade e o da beleza. Porém, desviamo-nos dele. A cobiça e a violência envenenaram a alma dos homens”...

18 – Antônio Fagundes (1949), ator brasileiro; Monteiro Lobato (1882 - 1948), advogado, escritor e tradutor brasileiro.






Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris e Lisboa, Monteiro Lobato fundou, em 1918, aquela que seria considerada a primeira editora brasileira, ou seja, a Monteiro Lobato e Cia, implantando, inclusive, inúmeras renovações nos livros didáticos e infantis. Escritor notável, ele é popular entre as crianças, pois a sua linguagem simples caminha lado a lado com a fantasia, povoando o imaginário infantil. A mais badalada das suas obras o Sítio do Pica-Pau Amarelo, por exemplo, encanta, até hoje, crianças e adultos, com narrativas que trazem Emília, Pedrinho, Narizinho, dona Benta, tia Nastácia, Visconde de Sabugosa, Cuca, Saci e demais personagens do folclore brasileiro vivendo as mais lúdicas e bucólicas das aventuras. Fazendeiro, Lobato escolheu a zona rural como cenário para quase a totalidade dos seus contos, que, segundo a escritora brasileira Marisa Lajolo, falam dos “diferentes brasis que até hoje, sob diferentes formas, assombram as esquinas da nossa história: o trabalho do menor, o parasitismo da burocracia, a violência contra negros, imigrantes e mulheres, a empáfia dos que mandam, o crescimento desordenado das cidades, a degradação progressiva da vida interiorana”, refletindo, assim, o “surto de modernidade autofágica” que desembocou na crise de 1930. Mas, de crise em crise, o Furacão da Botocúndia – como Lobato também era conhecido – chegou a produzir, ao longo da sua carreira literária, vinte e seis títulos destinados ao público infantil. Um dos mais importantes escritores da literatura infanto-juvenil da América Latina e também do mundo, Lobato, apesar de se considerar modesto – declinou de convites para ingressar na ABL, por exemplo, alegando que tinha outras coisas nas quais pensar –, certo dia afirma: “Talento não pede passagem, impõe-se ao mundo...”.

19 – Getúlio Vargas (1883 - 1954), advogado e político brasileiro, Vargas ocupou a cadeira de n° 37 da ABL – eu só questiono o quê de tão importante o estadista legou à posteridade; Lygia Fagundes Telles (1923), escritora brasileira.






Eleita para a ABL no dia 24 de outubro de 1985 para suceder o escritor, biógrafo, historiador, orador e político brasileiro Pedro Calmon (1902 - 1985), Lygia Fagundes Telles foi a terceira mulher a tomar posse na instituição. No dia 12 de maio de 1987, a grande dama da literatura brasileira ocupou a cadeira de n° 16. Engajada politicamente, Lygia sempre manifestou a sua preocupação com questões políticas e sociais e com o papel do escritor enquanto formador de opinião. A respeito, em uma entrevista, ela declarou: “Machado de Assis, aquele gênio mestiço que veio do morro, costumava dizer que o nosso povo, o povo real, o povo verdadeiro, esse era bom. Perigoso era o chamado oficial... Creio que sempre tive essa preocupação ética, a difícil condição humana num planeta enfermo”. Porém, apesar das mazelas do mundo e na iminência dos seus oitenta e sete anos de idade, Lygia continua a produzir, com os seus contos e romances sendo traduzidos para diversos idiomas, além de parte de sua obra já ter sido adaptada para o teatro, o cinema, e a televisão. Em 2005, para sua satisfação e a dos seus leitores, Lygia recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa, vindo somar-se aos demais já conquistados em sua carreira literária. Enfim! Mais informações sobre Lygia Fagundes Telles, sugiro a leitura do post A Dama nos 80, de minha autoria, publicado neste blog no dia 31 de julho de 2009. O post, por sua vez, consiste em uma entrevista que fiz com a escritora tempos atrás e que foi publicada no jornal Pasquim 21, em abril de 2003, quando dos seus oitenta anos. Abaixo, o link para a página do meu blog onde se encontra a entrevista:http://abagagemdonavegante.blogspot.com/2009/07/do-bau_30.html

Manuel Bandeira (1886 - 1968), escritor brasileiro, ocupou a cadeira de n° 24 da ABL; Roberto Carlos (1941), compositor e cantor brasileiro.


20 – Augusto dos Anjos (1884 - 1914), poeta brasileiro, é patrono da cadeira de n° 1 da Academia Paraibana de Letras - APL; Miró (1893 - 1983), pintor, escultor e muralista espanhol.






Bom! Intencionalmente, deixei para citar por último o mais especial dos arianos – pelo menos para mim –, que foi o italiano Leonardo da Vinci. Nascido no dia 15 de abril de 1452, Leonardo viveu praticamente toda a sua vida na Itália, embora, em 1516, aceitando o convite do rei da França Francisco I, transferiu-se para uma das propriedades do monarca, o castelo de Cloux, atualmente Clos-Lucé, perto de Amboise, onde veio a falecer no dia 2 de maio de 1519.

A sua tela mais polêmica, La Joconde, também conhecida por Monna Lisa, pintada, ao que tudo indica, entre 1503 e 1505, foi adquirida pelo rei Francisco I e é tida como a mais célebre do planeta. Pintada a óleo e com 53 centímetros de altura por 43 de largura, La Joconde encontra-se, hoje, no Museu do Louvre, onde tive o prazer de conhecê-la e, apesar de ser proibido, fotografá-la. O surpreendente, contudo, foi tomar conhecimento de que Leonardo não tinha sido apenas pintor.

Em visita ao castelo de Cloux, transformando em museu, tive o privilégio de conhecer algumas das maquetes de invenções concebidas por Leonardo. Engenheiro, arquiteto e cenógrafo, ele foi responsável por inventos militares, marítimos, hidráulicos, mecânicos e aeronáuticos, entre outros – fato que, até hoje, muita gente desconhece –, sendo, por seus feitos, considerado o maior de todos os gênios da História da civilização humana.

Para informações mais aprofundadas sobre Leonardo da Vinci, sugiro uma consulta a um site cujo link encontra-se abaixo. Imperdível!
http://www.espiritualismo.hostmach.com.br/leonardo_vinci.htm


Porém, retornando à data do meu nascimento, gostaria, ainda, de tecer algumas considerações acerca de 1968, ano que, para muitos, ainda não terminou.

(Continua...)

Nathalie Bernardo da Câmara


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