sexta-feira, 23 de julho de 2010

LOMBADA NELES!



“O erro é a regra: a verdade é o acidente do erro...”.

Georges Duhamel (1884 - 1966)
Escritor francês


Confesso que não vi, porque o círculo de gente que estava ao redor não o permitiu, mas que alguém ou um corpo estava estendido no chão, como diz a canção, em pleno asfalto, entre uma faixa e outra, estava. Não tinha foto de gol, reza ou praga, nem, muito menos, um silêncio servindo de amém. Não tinha bar por perto, por isso não podia lotar. Não sei se o alguém ou o corpo era malandro ou trabalhador. Não houve discurso nem camelô vendeu coisa alguma. Tinha de um tudo, menos baiana para fazer pastel e um bom churrasco de gato. Não eram quatro horas da manhã nem nenhum santo baixou no porta-bandeira e ninguém tinha pressa de sair de perto para pensar em mulher ou time. Olhei de longe e atravessei a rua, deixando alguém ou um corpo para trás, estendido no chão. Fui embora...

Lembrei do fato descrito acima, que ocorreu, aliás, em junho de 2009, após a leitura do artigo A Punição sem educação, do ex-reitor da Universidade Estadual de Londrina, professor Wilmar Marçal, postado outro dia neste blog. Assim, como, à época, eu cheguei a fazer algumas anotações sobre o ocorrido, peguei a deixa do artigo do ex-reitor e busquei as tais informações em meus arquivos a fim de revê-las. O acidente, portanto, mencionado no primeiro parágrafo, tem sido, apenas, mais um de uma série incontável, de toda ordem, na rua Jaguarari, uma das principais vias de escoamento da cidade de Natal, que, por diversos motivos, não dá mais vazão à demanda de veículos que por ela trafega diariamente. O que é pior: os motoristas parecem incorporados pelo espírito de Airton Senna (1960 - 1994) ou o de algum kamikaze qualquer.




Sem falar nos que dirigem alcoolizados e nos que, por natureza ou circunstancialmente, desenvolvem instintos assassinos ou suicidas. E isso todos os dias. São colisões, atropelamentos etc. O trecho, por exemplo, onde alguém ou um corpo estava estendido no chão, é um dos mais perigosos da via, sobretudo se o motorista incauto vem das bandas do bairro de Candelária. Pensando que está em um autódromo, ele sai em disparada e, se pegar todos os sinais abertos, melhor ainda, devendo quem quiser escapar ileso, ficar longe do caminho do infeliz. É, infelizmente, as ocorrências não são poucas... A solução? Lombadas de betume, areia e brita. O velho quebra-molas, sim, embora muitos o tenham como ultrapassado. Não, os quebra-molas não estão ultrapassados. Ao contrário!



As lombadas talvez sejam a única solução para coibir certos abusos. Sim, porque, se mesmo colocando lombadas eletrônicas ou pardais, infrações são cometidas e a cobrança da multa chega, mas, logo, muitos dos infratores ou tentam subornar um funcionário do Departamento de Trânsito - Detran, para que ele libere-os da punição, ou liga para um amigo político, no caso de terem algum, e o dito cujo, por sua vez, por amizade ou já tendo em vista as eleições seguintes, também basta recorrer ao telefone para, não importa como, liquidar a dívida que lhe foi notificada, dando um jeitinho. E essa prática corrupta de há muito se tornou lugar-comum, não fazendo diferença alguma o lugar do Brasil onde ela ocorra. Em Brasília, por exemplo, solo capital, nem se fala! Com as suas vias largas, é um deus nos acuda.


Daí insistir nos considerados ultrapassados quebra-molas. E digo isso porque, eu mesma, já fui, e por diversas vezes, atemorizada por veículos conduzidos por insanos, que, por pouco, não me atropelaram. E isso é sério! Tanto que, dias após o acidente mencionado no início deste post, eu estava com um amigo quando encontrei três policiais em um posto de gasolina das redondezas onde o fato aconteceu. O meu amigo, indignado, comentou com os policiais sobre a balbúrdia do trânsito e pediu providências, reivindicando quebra-molas entre um sinal e outro da rua Jaguarari, coibindo, assim, que os motoristas acelerassem mais do que o permitido entre um e outro. Um dos policiais, contudo, no auge da estupidez, foi enfático ao dizer que era contra quebra-molas porque eles danificavam o seu carro.


Sei não, mas, quando me deparo com posturas como essa, fico a pensar nos critérios exigidos para que uma pessoa seja capaz e esteja apta para assumir não importa qual cargo ou função. No caso, a capacidade e a aptidão para vestir uma farda, representando uma força policial que, por sua vez, representa o terceiro poder, que, muitas vezes, indiscutivelmente, abriga uma moral extremamente duvidosa, sem preparo algum, já que, às vezes, nem cumpre devidamente as suas obrigações, que são as de proteger o cidadão. Certas vezes, é até conivente com os abusos e as infrações cometidas por gente sem a menor condição nem de tirar uma carteira de motorista, analfabeta no trânsito que é. Daí reivindicar: quebra-molas, sim! E mais ética para certos policiais que não fazem jus à função que exercem...





IMUNIDADE = IMPUNIDADE?


“Nós queremos a verdade para o nosso povo!”.

Cristiane Yared, mãe de Gilmar Yared, 26, um dos jovens mortos no acidente provocado pelo então deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB/PR) (foto).


Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, o carro dirigido pelo ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB/PR), 27, chocou-se violentamente com outro veículo, cujos ocupantes, Gilmar Rafael Souza Yared, 26, e Carlos Murilo de Almeida, 20, morreram no local do acidente, ocorrido em Curitiba. O mais assombroso, contudo, é que, no momento do acidente, além de completamente alcoolizado – foi acusado um nível de 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue no momento do acidente, quatro vezes mais que o limite tolerado de 0,2, sendo que 6 decigramas de álcool já caracterizam crime –, Carli Filho dirigia a 191,52 km por hora.


O carro do deputado Carli Filho deixou o então deputado sem saída…


Detalhe: a carteira de habilitação de Carli estava suspensa. E exatamente porque contabilizava mais de trinta multas, sendo a maioria por excesso de velocidade, ou seja, ao todo, mais de 130 pontos na carteira de habilitação por uma série de infrações de trânsito. Não é preciso lembrar que o repúdio ao ex-deputado foi unânime.


E a família de Gilmar Yared fez adesivos.


Na iminência, portanto, de ter o seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar por dirigir com a carteira de motorista suspensa, Carli Filho renunciou ao cargo no dia 29 do mesmo mês, perdendo o foro privilegiado. Aberto, então, um inquérito para investigar as responsabilidades no acidente, ele foi indiciado por homicídio com dolo eventual, tendo de responder pela morte dos dois jovens na Justiça Comum. Falando nisso, a quantas anda o processo?

Segundo pude averiguar, tudo indica que o ex-deputado, atualmente sem partido, será interrogado pela juíza da Segunda Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Flávia da Costa Viana, no dia 10 de agosto, a partir das 13h30min. Que a Justiça brasileira, então, cumpra, agora, com o seu papel, embora digam que ela é cega. Eu, particularmente, acho que, além de cega, a Justiça é igualmente surda, muda, sem falar que não tem faro nem tato. E ainda mete o bastão!




LUZ NO FIM DO TÚNEL?



“O Brasil tem o quinto maior número de mortes no trânsito no mundo...”.

Organização Mundial da Saúde - OMS


Há dez anos, no Rio de Janeiro, a prática do skate em túneis interditados para manutenção virou um hábito. Os túneis mais procurados pelos amantes do esporte, por sua leve ondulação, que facilita manobras radicais, são o Rebouças, o Zuzu Angel e o Acústico, na Zona Sul da cidade. Na madrugada da última terça-feira, 20, no Túnel Acústico, na pista sentido Gávea, que estava interditado, em função de uma manutenção de rotina no Túnel Zuzu Angel, o músico Rafael Mascarenhas, 18, filho da atriz e apresentadora brasileira Cissa Guimarães, 53, estava skateando com mais dois amigos quando foram surpreendidos pela presença de dois carros que invadiram a pista fechada após uma manobra proibida que lhes deu acesso a uma passagem de emergência no Túnel Zuzu Angel.

Um dos carros, cujo motorista era o estudante Rafael de Souza Bussamra, 25, atropelou o músico Rafael Mascarenhas, que foi encaminhado, ainda com vida, ao Hospital Miguel Couto. Com politraumatismo, o músico foi operado, mas, não resistindo aos ferimentos, faleceu às 8h da manhã. A polícia investiga se os dois carros estavam fazendo um pega. Assim, apesar de ser investigado por homicídio culposo (sem intenção), Bussamra foi intimado a depor e, logo em seguida, liberado. Porém, se comprovado que cometeu uma série de infrações que caracterizem falta de cautela, ele será indiciado por homicídio doloso (com intenção). A delegada Bárbara Lomba Bueno, por sua vez, responsável pela investigação, averigua, igualmente, a passividade dos policiais militares filmados abordando um dos carros logo após o acidente.

Já afastados das ruas, os policiais que, tudo indica, foram comunicados do atropelamento, não interceptaram os carros nem conduziram o motorista incauto à delegacia, que, apesar de já ter prestado depoimento, responderá ao processo em liberdade, contrariando a opinião pública. Só que, logo após a notícia acima, veiculada a 3x4 na imprensa brasileira, sai, em um telejornal, outra igualmente violenta. Ou melhor, bárbara, que é a do assassinato de Eliza Samudio, ex-amante de Bruno, goleiro do Flamengo. O infeliz, responsável pela morte de Eliza, ainda tem o desplante de dizer que irá processar o Estado “por tudo o que fizeram com ele”. Sei não, mas tem gente que perde a sanidade e quer continuar sendo tratada como alguém dentro dos ditos padrões de normalidade. Júri popular para ele!

Diante de informações tão surpreendentes, lembrei de um caso que, em maio do ano passado, aconteceu em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, no Rio Grande do Norte, e que não se limitou as páginas da mídia local. Ao contrário! Ganhou repercussão nacional. Quiçá, até internacional! Preparemos o estômago?





O CRIME DE SÃO GONÇALO



"onde acaba o amor tem início o poder, a violência e o terror...".

Jung (1875 - 1961)
Psiquiatra suisso

Não, não é o que o caro leitor está pensando. Ou seja, o São Gonçalo ao qual me refiro não é o filho da Idade Média, que nasceu em Portugal, em 1187, e se tornou padre, além de ser um exímio tocador de viola, sendo, portanto, protetor dos violeiros – têm muitos que não saem de casa sem, antes, levar um dedinho de prosa com o santo. No entanto, após o seu falecimento – há dúvidas quanto ao ano, se 1259 ou 1262 –, tiveram início diversas peregrinações à Amarante, cidade onde, durante anos, viveu como eremita, construiu uma ponte e uma capela...

O fato é que eu estou me referindo a São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, onde é registrado um assassinato por dia. No caso, falo de um crime hediondo, que chocou pela brutalidade do agressor. Foragido da penitenciária de Rondônia por atentado ao pudor, bem como condenado pelo mesmo tipo de crime em Macapá, além de ser procurado pelas autoridades judiciais dos Estados de Pernambuco, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Paraná, o vendedor ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar, 55, natural do Maranhão, foi acusado de matar a adolescente Maisla Mariana dos Santos, que, ano passado, tinha, apenas, onze anos de idade.

Estuprada, Maisla teve o seu corpo apunhalado por mais de trinta golpes de uma arma branca qualquer – provavelmente uma faca –, no tórax e na cabeça, e, em seguida, esquartejado em onze partes. Segundo o depoimento dos legistas à imprensa, o assassino, estuprador e pedófilo – sabem-se lá mais o quê – “cortou a cabeça, os ombros e dividiu os braços em duas partes, na altura dos cotovelos. Já o tórax foi cortado na altura do umbigo, sendo divido em duas partes, das costelas para cima e até a metade do fêmur. Além disso, o homicida também dividiu as pernas em duas partes, cortando um pouco abaixo dos joelhos”.

Depois, segundo a polícia, o criminoso teria separado as partes do corpo em três sacos e os despejou em dois terrenos baldios próximos ao local onde a menina desapareceu, em Igapó. Com a prisão do suspeito, a polícia trabalhou para desvendar as circunstâncias do assassinato de Maisla. Em acareação realizada com os seus únicos dois amigos, Osvaldo ficou estupefato quando eles confirmaram que o suspeito sempre teve um comportamento de pedófilo. Obviamente que Osvaldo negou, mas o fato é que, a cada laudo, a certeza de que ele estuprou, esfaqueou e depois esquartejou a pequena Maisla ficou mais evidenciada.

O detalhe, contudo, das declarações, é que elas foram feitas não apenas por amigos, mas por duas pessoas da Igreja adventista do sétimo dia, congregação religiosa da qual o suspeito já fez parte, mas da qual foi expulso há alguns anos pelo pastor por conduta imprópria para um religioso e que, curiosamente, também era a Igreja que Maisla freqüentava. Enfim! Osvaldo foi abordado por policiais do Núcleo de Inteligência da Polícia no dia 14 e encaminhado ao Instituto Técnico-Científico de Polícia - ITEP, onde fez exames de corpo de delito e uma coleta de amostras de sangue.

Detido, o infeliz ficou a aguardar a prova que poderia ou não incriminá-lo. À época, o secretário estadual de Segurança e Defesa Social, Agripino Oliveira Neto, disse que, por ele, o suspeito teria sido considerado culpado e condenado, sobretudo por seus antecedentes criminais. Desde então, Osvaldo encontra-se sob a custódia do Estado e deve ser protegido. Agora, segundo matéria publicada pelo jornal Tribuna do Norte, no dia 11 de março deste ano...

 

Laudos incriminam Osvaldo Pereira


 

Segredos de uma investigação guardados a “sete chaves” foram revelados. Laudos e provas incontestes podem ajudar o Tribunal do Júri a decidir o destino do vendedor ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar, 55, principal suspeito de ter matado e esquartejado a estudante Maisla Mariano dos Santos, no dia 12 de maio de 2009, em Igapó.

No inquérito policial de nº 033/2009 e no processo de nº 002.09.001.434-2 é possível encontrar provas captadas pela perícia técnica do Instituto Técnico Cientifico de Polícia (Itep) e por policiais civis que estiveram no suposto local do crime.

Maisla, assim que foi raptada teria sido atingida por um soco no rosto que pode ter colaborado para a menor ter sido levada desacordada até a casa onde foi morta (hipótese levantada por fontes da Tribuna do Norte), porém, consta, nos autos um laudo que revela: Exame realizado na cavidade oral, perda de vários elementos dentários (dentes) e laceração (corte) do tecido gengival. O que comprovaria que a vítima teve o maxilar quebrado.

Na casa do suspeito foi aplicado o luminol (substância que promove reação química diante de vestígios de sangue). O processo mostrou claramente que foram encontrados vestígios na sala de visita, no piso da sala para a cozinha, nos armários da cozinha (onde ficavam os talheres), no piso entre o quarto e o banheiro, na cama, no colchão, na parede do banheiro. Também foram encontradas substâncias compatíveis com sangue no colchão de Osvaldo e no veículo do acusado.

A delegada Adriana Shirley que presidiu o inquérito policial que apurou a morte da estudante disse que no corpo da Maisla havia inúmeras lesões com características de que a menina foi barbaramente torturada antes de morrer. “A tortura durou entre duas a três horas”.

Em uma das partes do laudo do exame necroscópico consta que: a vítima sofreu sevícias (tortura) antes do óbito. Sobre o provável estupro, um outro exame realizado na vítima aponta que havia uma equimose na região vaginal indicativa de agressão de natureza sexual. “Embora o hímen estivesse íntegro (não foi dilacerado), Osvaldo responde na justiça por atentado violento ao pudor”, explicou a delegada.

Adriana Shirley informou que não tem dúvidas que Maisla foi assassinada dentro da casa de Osvaldo e que a menina, possivelmente, foi esquartejada no banheiro.

No colchão periciado foram encontradas perfurações realizadas por um objeto perfurocortante. “Este foi um caso muito complexo. Não havia no RN registro de violência deste tipo”

Fontes da Tribuna do Norte que trabalharam no caso afirmaram que existem inúmeros indícios dentro dos autos de que o homem que matou Maisla não agiu sozinho. Situações ainda não reveladas apontariam para a participação de uma segunda pessoa no crime.



Memória



Dia 12 de maio de 2009, Maisla sai de casa, no Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante e segue em uma bicicleta de cor rosa até o trabalho do pai, no bairro de Igapó, na zona Norte para entregar o almoço. O trajeto era feito pela menor todos os dias. Por volta das 13h30, a garota desapareceu. No dia seguinte partes do corpo da estudante foram encontrados em um terreno baldio, no Igapó. No outro dia, outras partes do corpo de Maisla foram localizados em um terreno baldio. Osvaldo foi apontado pela família da menor com sendo o principal suspeito do crime.




Onde este mundo vai parar? E lembro do que disse a minha madrinha, a médica brasileira Laly Meignan, quando, um dia, ao visitá-la no hospital psiquiátrico Sainte-Anne, em Paris, onde ela trabalha há décadas... Após almoçarmos, fomos caminhar nos jardins do hospital e percebi que os seus portões estavam abertos, com os internos, diagnosticados com algum tipo de doença mental, indo e vindo por eles. Questionei o motivo para tal liberalidade, digamos assim. Laly disse que a política do hospital era essa. Ou seja, os ditos doentes mentais saiam a hora que quisessem do hospital, pois sabiam que, ao retornar, tinham cama e comida. Disse, ainda, que o pior eram os loucos que estavam na sociedade, livres, que cometiam e continuam cometendo horrores e que ninguém podia nem continua podendo fazer nada contra eles. Resumindo: a nossa sociedade é o próprio hospício... Pior: reconhecido por lei.



Nathalie Bernardo da Câmara

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