quinta-feira, 10 de junho de 2010

UM BARATO QUE
CUSTA CARO A TODOS NÓS



"O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia...".

Jornalista e escritor brasileiro



De quatro em quatro anos, o enjôo volta! Não que eu não goste de esporte. Ao contrário! Em tempos remotos, até já fui atleta – pratiquei ginástica olímpica, basquete, tênis, natação... –, considerando toda e qualquer atividade física, aliás, extremamente benéfica e necessária para a saúde humana. Na verdade, o que me irrita são os ânimos inflamados e o fanatismo das pessoas durante uma partida de futebol, que, de há muito, se tornou um objeto de devoção, igual a um ritual religioso qualquer. Imagine, então, o transtorno mental e emocional que afeta os torcedores em uma Copa do Mundo! Dá até medo.

Daí o evento ser indigesto, pelo menos para mim. Sim, algo que realmente me embrulha o estômago e do qual eu quero distância, sobretudo da energia perniciosa que rola igual uma bola no gramado durante o período da sua realização. E o horror é que, mesmo se a criatura tiver um alto grau de capacidade para se abstrair, não há como não sentir os seus inconvenientes respingos. De qualquer modo, sinto-me uma privilegiada, pois não estou incluída nas estatísticas que, na Copa do Mundo, contemplam as vítimas da repulsiva lavagem cerebral que é engendrada pela mídia.

Parece até pardal, a mais familiar das aves, que, aliás, só nidifica em habitações humanas, sendo a espécie de maior distribuição geográfica do planeta, presente em todos os continentes. E, tal qual o pardal, me perdoem os torcedores de plantão, o futebol – não é de hoje – tornou-se uma praga e, como toda praga, provoca desequilíbrios ambientais, não se caracterizando, portanto, como sendo algo saudável, provocando danos, inclusive colaterais, muitos dos quais, aliás, imperceptíveis. Ocorre que, como a dita democracia ampara a prática do futebol não importa em quais moldes, mesmo os fraudulentos...

Quando se fala em futebol – não há como negar –, eu penso logo em máfia, já que o esporte, não mais apenas recreativo, tornou-se um instrumento de poder, através do qual é praticado um sem fim de atividades escusas, mais sujas, inclusive, do que qualquer lixão a céu aberto. Totalmente desprovido de ética, o futebol, hoje, resume-se a ser, apenas, mais um tentáculo do capitalismo, sendo, portanto, um mal a ser combatido. Mas, que luta desigual... Como combatê-lo, igual se combate os pardais, eliminando os seus efeitos nocivos, se a corrupção adentrou nas entranhas da indústria que o fomenta?

Assim, para driblar o estresse promovido pelo evento, sobretudo nos dias dos jogos do Brasil, o aconselhável é evitar locais públicos. De preferência, não sair nem de casa, valendo-se do controle remoto da televisão para mudar de canal. Agora, se for para sair, o ideal é um cinema, um museu, uma biblioteca, já que o acesso a ilhas não é fácil. É, um local tranqüilo pode ser a solução para escapar do burburinho das aglomerações, visto ser humanamente impossível isolar a euforia coletiva despertada por uma alienada e alienante Copa do Mundo – este ano, na África do Sul, de 11 de junho a 11 de julho –, a poluir o mais aprazível dos ambientes.


Nathalie Bernardo da Câmara

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