terça-feira, 30 de setembro de 2014

LEVY FIDELIX: DE EXCREÇÕES EM EXCREÇÕES...

 “Quanto menor o coração, mais ódio carrega...”.

Victor Hugo (1802 - 1885), escritor francês.
  

Levy Fidelix ofende gays em debate e causa revolta nas redes sociais
Hastag #LevyVocêÉNojento figurou em primeiro lugar nos tópicos do Twitter Brasil

O Globo – 29/09/2014
Por Tiago Dantas e Danilo Motta


SÃO PAULO — O candidato Levy Fidelix (PRTB) provocou revolta nas redes sociais ao ser questionado por Luciana Genro (PSOL) sobre suas propostas para a população LGBT. Durante o terceiro bloco do debate da TV Record, na noite deste domingo, ele defendeu "tratamento psicológico" a gays e declarou que não quer os votos deles. Logo após o debate, a hashtag #LevyVocêÉNojento figurou em primeiro lugar nos tópicos mais comentados do Twitter Brasil, tendo rendido mais de 11 mil menções desde o momento em que começou a ser usada na rede.

— Olha, minha filha, tenho sessenta e dois anos. Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais, digo mais: desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. É feio dizer isso. Mas não podemos jamais, gente... eu, que sou pai de família, um avô, deixar que tenhamos esses que aí estão achacando a gente no dia dia querendo escorar essa minoria a maioria do povo brasileiro (sic). Como é que pode um pai de família, um avô, ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas eu, um pai, um avô, que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto.

Ele também associou a homossexualidade à pedofilia: — E vamos acabar com essa história. Eu vi agora o padre, o santo padre, o Papa, expurgar do Vaticano um pedófilo, e fez muito bem. Está certo. Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar. Então Luciana, eu lamento muito. Que façam um bom proveito se querem fazer de continuar como estão, mas eu, presidente da República, não vou estimular a união homoafetiva. Se está na lei, que fique como está.

Na réplica, Luciana Genro declarou que é a candidata que defende "todas as famílias": — Estou defendendo todas as famílias. Não importa se são dois homens e duas mulheres. O que importa é que as pessoas se amem.

Na tréplica, Fidelix voltou à carga: — Luciana, você já imaginou que o Brasil tem 200 milhões de habitantes? Se começarmos a estimular isso aí daqui a pouco vai reduzir pra 100. Vai pra Paulista e anda lá e vê. É feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem. Nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria, vamos enfrentá-los! Não ter medo de dizer que sou pai, mamãe, vovô! E o mais importante é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá.

Devido aos comentários do candidato, alguns perfis nas redes estimularam seus seguidores a formalizar denúncias em órgãos públicos, como o Ministério Público Federal ou o Dique 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.


O atraso do atraso

“Época triste a nossa: é mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito...”.

Albert Einstein (1879 - 1955), físico alemão naturalizado suíço, depois norte-americano.


Após declarações homofóbicas, Levy Fidelix vai pedir proteção à PF
Comitê de campanha em SP amanheceu com portas fechadas e segurança privada na porta

O Globo – 29/09/2014
Por Renato Onofre e Julianna Granjeia


SÃO PAULO - Após fazer declarações homofóbicas durante o penúltimo debate presidencial, o candidato do PRTB à Presidência, Levy Fidelix, vai pedir proteção à Polícia Federal nesta reta final das eleições. No domingo à noite, Fidelix atacou a comunidade LGBT, gerando uma série de protestos nas redes sociais. Coletivos contra a homofobia já anunciaram que vão fazer atos contra o candidato. No comitê de campanha da legenda, na Alameda dos Tupiniquins, em Moema, Zona Sul de São Paulo, os portões permanecem fechados com segurança privada na porta: — Tudo que eu tinha para falar eu já falei ontem — se limitou a dizer no final da tarde Fidelix.

Segundo o advogado Marcelo Duarte, que representa o candidato, Levy Fidelix não irá se pronunciar sobre o assunto. Duarte anunciou que o pedido é para garantir a segurança de Fidelix: — Como candidato, ele tem este direito. Até hoje ele não o fez por não achar necessário, mas as circunstâncias mudaram. – explicou o advogado, afirmando que o candidato não vai se retratar sobre a questão. – Não há do que se retratar. Meu cliente disse que prefere eles de um lado e ele do outro. Isso não é crime.

Durante o debate da rede Record, a candidata Luciana Genro (PSOL) questionou o candidato sobre as políticas públicas dele para sobre união homoafetiva e políticas públicas relacionadas à comunidade LGBT. Levy polemizou ao relacionar homossexualidade à pedofilia na resposta: — Aparelho excretor não reproduz. Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar.

Durante todo o dia, grupos de direitos LGBT se manifestaram contra as posições defendidas por Levy.

Desde o início da manhã desta segunda-feira, Levy Fidelix está isolado no segundo andar da sede nacional do PRTB. O vai e vem de assessores e colaboradores é intenso. O medo de represálias fez com que todas as placas e propagandas instaladas próximos ao imóvel da Alameda dos Tupiniquins fossem retiradas.

Os carros do candidato que estavam estacionados na rua foram recolhidos à garagem da sede do PRTB. Pelo menos outros quatro carros estacionados na via tiveram sua propaganda removida. Uma placa de um metro e meio posicionada na frente da entrada principal do imóvel com a imagem de Fidelix com sua filha Lívia, candidata à Câmara dos Deputados foi guardada.

O candidato do PRTB, que defendeu posições homofóbicas durante o penúltimo debate presidencial realizado no domingo à noite, só está recebendo os aliados mais próximos. Oficialmente, a restrição é por conta da data. Segundo funcionários da legenda, hoje, Levy está fechando pessoalmente as contas da campanha.

DENÚNCIAS
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a candidata à presidência da República do PSOL, Luciana Genro, protocolaram nesta segunda-feira representações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação do registro de candidatura do presidenciável Levy Fidelix (PRTB) e punição por homofobia.

Em sua denúncia, o PSOL diz que Levy “incitou a violência e a discriminação contra a população LGBT por meio de verdadeiro discurso de ódio e ofensa à coletividade LGBT”. Já a OAB diz que o discurso do presidenciável configura crime eleitorai e contra a paz pública. Outros presidenciáveis também se pronunciaram sobre a fala de Levy nesta segunda-feira.

A Defensoria Pública de São Paulo recebeu quatro denúncias entre domingo e segunda. O Núcleo Especializado de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito do órgão ainda está analisando o caso. No entanto, a assessoria informou que a opinião dos defensores é de que houve homofobia e crime de ódio. O núcleo estuda se usará a legislação eleitoral ou estadual, como a lei 10.948/2011 de São Paulo, que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual, para acionar o candidato.

O braço eleitoral do Ministério Público Federal também está analisando o caso. Neste domingo, internautas divulgaram o site do MPF para que fossem feitos registros de denúncias ao órgão. A assessoria do MPF informou que recebeu "várias denúncias" vinda de todo o país pelo canal de atendimento ao cidadão e, por o sistema não ser unificado, ainda não há um levantamento do número total de reclamações.

O MPF também informou que não houve crime eleitoral nas afirmações de Levy. Entretanto, as denúncias estão sendo analisada "para verificar se as falas podem incorrer em crimes em outras esferas (criminal, cível, etc)".


Era uma vez Idade Média... 

“Há homens cujo ódio nos glorifica...”.

Denis Diderot (1713 - 1784), escritor francês.


Candidatos reagem, com atraso, às declarações homofóbicas de Levy Fidelix
Aécio e Marina alegam que não podiam se manifestar na hora devido às regras do debate

O Globo – 29/09/2014
Por Márcio Beck / Silvia Amorim / Leonardo Guandeline / Letícia Lins (enviada especial) / Arthur Fernandes


RIO, SÃO PAULO e CARUARU (PE) - Os candidatos à Presidência da República reagiram nesta segunda-feira ao discurso homofóbico feito pelo candidato do PRTB, Levy Fidelix, em debate realizado pela Rede Record, que não foi contestado imediatamente por nenhum dos adversários. Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) e Marina Silva (PSB) condenaram a postura de Fidelix, que, ao responder a uma pergunta de Luciana Genro sobre união homoafetiva, defendeu “tratamento psicológico” para homossexuais, declarou não querer os votos de pessoas que não são heterossexuais e disse ainda que a "maioria" deveria "enfrentar a minoria". Os candidatos do PV e do PSOL pediram punição a Fidelix.

O primeiro a se manifestar foi Eduardo Jorge. Pouco após o fim do debate, ainda de madrugada, ele postou no Twitter sua crítica.

Hoje vocês viram o quanto é necessário uma legislação que criminalize a homo/lesbo/transfobia, equiparando-as aos crimes de racismo né?

— A posição do PV todos já conhecem, somos a favor de equiparar a homofobia a crime de racismo. Para nós, mesmo sem essa legislação explicitamente aprovada no congresso, julgamos que cabe o processo por incitação à violência e preconceito. O jurídico do PV também está estudando para amanhã (terça-feira) uma ação no TSE – afirmou Eduardo Jorge, no comunicado.

A candidata do PSOL, Luciana Genro, fez uma representação ao TSE, junto com o deputado Jean Wyllys, do mesmo partido, pedindo que Fidelix seja punido, nos termos da legislação eleitoral, por ter incitado o ódio e a violência contra a população LGBT em seu pronunciamento no debate.

“A nossa candidatura é a única que está pautando constantemente a defesa dos direitos LGBT. E a fala odiosa do candidato Levy Fidelix chamou a atenção do Brasil inteiro para o silêncio dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas a respeito da homofobia e da necessidade de se garantir, em lei, o casamento civil igualitário e de se combater, a partir da educação nas escolas, qualquer tipo de discriminação”, disse Luciana Genro, em comunicado.

DILMA: 'STF FOI DEFINITIVO'
Em coletiva para a imprensa em hotel em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff voltou a defender que a homofobia seja criminalizada no Brasil: — O meu governo e eu, pessoalmente, sou contra a homofobia e acho que o Brasil atingiu um patamar de civilidade que nós, a sociedade brasileira e o governo, não podemos conviver com processos de discriminação que levem à violência. – disse a presidente. – No que se refere às relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, o Supremo Tribunal Federal foi claro e definitivo. Leis, neste país, e decisões do Supremo existem para serem cumpridas. E nós temos de cumprir esta que declarou que a união estável entre pessoas do mesmo sexo garante às pessoas todos os direitos civis, tais como herança, adoção e todos os demais – acrescentou.

Dilma, que ainda nesta segunda-feira deve se reunir com lideranças defensoras dos direitos homossexuais, no entanto, não rejeitou um eventual pedido de apoio a Fidelix em um segundo turno: — Meu palanque ainda não foi concluído. Estou no primeiro turno e não vou fazer aquela precipitação, que é achar que tudo já foi resolvido. Eu respeito o voto. Então, só falo em segundo turno depois do voto depositado na urna e computado, contadinho. Aí a gente discute o que vocês quiserem.

AÉCIO: ‘SEM SENTIDO E EQUIVOCADA’
Antes de fazer uma caminhada no centro comercial de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Aécio Neves classificou a fala de Fidélix como “lamentável”: — Quero expressar nosso repúdio absoluto àquela declaração. Como já disse, qualquer tipo de discriminação é crime. Homofobia também. – disse.

Em atividade de campanha em seu estado natal, Minas Gerais, em Uberlândia, pela tarde desta segunda-feira, o tucano voltou a responder sobre a polêmica. O tucano disse não considerar que as ofensas aos gays proferidas por Fidelix tenham dado a tônica ou tenham interferido no conteúdo dos demais concorrentes no penúltimo debate presidencial neste primeiro turno: — Foi uma participação (de Levy Fidelix) sem sentido e equivocada, mas é exagero dizer que ofuscou o debate. Reitero o que já disse: homofobia é crime, como qualquer outro tipo de discriminação, e assim deve ser tratada.

O candidato Aécio Neves afirmou que não teceu críticas aos comentários do adversários, logo após as afirmações de Levy Fidelix, devido ao formato do debate. Questionado pela reportagem de O Globo, ele também indagou sobre como poderia ter se manifestado durante o debate: — Como? Me sugere. Me fala como? Não era a minha vez de falar, eu não podia falar. Estou manifestando aqui agora.

MARINA: 'DECLARAÇÃO INACEITÁVEL'
Durante evento em Caruaru, onde foi reforçar a campanha de Paulo Câmara (PSB), Marina Silva também alegou que não pode interferir no momento devido às regras do debate: — A declaração dele foi inaceitável do ponto de vista da completa intolerância com a diversidade social e cultural que caracteriza o nosso país.

Para ela, o candidato faltou com o respeito que se deve ter com as pessoas independentemente de condição social, de cor e orientação sexual. A candidata do PSB disse ainda que a Rede está avaliando as declaração com os advogados e está estudando entrar com representação na Justiça: — As declarações são de fato homofóbicas e inaceitáveis em qualquer circunstância. – disse, acrescentando que ninguém deve aceitar a incitação ao desrespeito e à violência contra integrantes da comunidade LGBT ou contra qualquer pessoa.


Link do Ministério Público para encaminhar denúncias. #LevyVocêÉNojento





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