domingo, 5 de agosto de 2012

A ESCOLA NÃO É: ESTÁ SENDO!

“A educação, qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática...”.

Paulo Freire (1921 - 1997)
Educador, filósofo marxista e patrono da educação brasileira (lei de 13/04/2012).


Outro dia, buscando nem sei mais o quê, embora saiba que relacionado ao escritor italiano Italo Svevo (1861 - 1928), de quem muito aprecio a leitura, provavelmente, de repente, em busca nem que fosse de um respingo da consciência de Zeno, personagem autobiográfica do autor, deparei-me casualmente com a charge acima e senti um forte impacto. Isso sem falar que, de uns tempos para cá, o realismo do traço do chargista brasileiro Latuff muito tem me impressionado – não é à toa que nunca fui muito simpática ao surrealismo... Enfim! A arte em questão, tocante, reportou-me a um fato que, tendo início em junho deste ano, que foi, digamos, a militarização das escolas da rede pública de ensino do Rio de Janeiro, anda, desde então, a causar polêmicas. E com toda razão! – posso até imaginar o quanto deve ser chocante um aluno chegar numa escola para assistir aula e, no quesito repressão, ao invés de dá de cara no máximo com a figura de um bedel, que nem é tão agressiva assim, confrontar-se com um pelotão bem parecido, quiçá, com os de fuzilamento. Digo isso porque, no primeiro ano do meu curso de jornalismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lá por volta de 1986, com o Brasil recém-saido da ditadura militar (1964 - 1985), tornou-se algo corriqueiro esbarrar, quase que diariamente, numa viatura policial estacionada entre um bloco e outro do nosso setor de aulas, sendo que, detalhe, a parte frontal do veículo era sempre deliberada e arrogantemente assentada bem no meio do corredor principal, tornando-se, diga-se de passagem, um obstáculo que, quisessemos ou não, tínhamos, invariavelmente, de contornar, embora soubêssemos que, embora desnecessária, aquela intervenção dramática não era que resquícios do regime ditatorial que, apesar de já ultrapassado, havia legado heranças – nada mais acintoso e antipático.

Há cerca de dois meses, portanto, no dia 2 de maio, os secretários de Estado de Educação do Rio de Janeiro e de Segurança Pública, juntamente com o comandante geral da Polícia Militar da cidade mais que maravilhosa, assinaram o Termo de Cooperação do Programa Estadual de Integração de Segurança (Proeis), cujo objetivo era o de reforçar a segurança escolar, englobando a proteção de alunos, professores e servidores administrativos, bem como a segurança patrimonial dos estabelecimentos de ensino. Para manter, contudo, o patrulhamento extra, seria injetado algo em torno de R$ 2 milhões por mês. À época, segundo informações divulgadas no portal da própria Secretaria de Estado de Educação, o secretário Wilson Risolia emitiu o seguinte disparate: “Os policiais têm que ser exemplo para essa garotada que está em nossos colégios”... Bom! Inicialmente previu-se que 90 escolas da rede pública de ensino do Rio de Janeiro teriam, digamos, a segurança reforçada dentro e no entorno das unidades, sendo que os policiais militares disponibilizados fardados e armados para o Proeis usariam, para isso, as suas horas de folga do serviço regular. Desse modo, considerando, ainda, que “a promoção de medidas de ordem pública nos espaços urbanos são meios eficazes na redução dos índices de criminalidade e no aumento da sensação de segurança”, o programa previa a sua ampliação até dezembro, abrangendo um total de mais de 180 escolas, ou seja, o número de beneficiados pela presença de puro deleite de homens e mulheres portando fardas e armas, objetivando garantir, digamos, uma tranquilidade no ambiente escolar, deve vir a ser duplicado até o final do ano. Porém, uma das maiores glórias exaltadas após o primeiro mês de implantado o Proeis deu-se à apreensão de cigarros de maconha nas escolas e à detenção de traficantes nas portas das unidades de ensino.


Legal! Está na nora, então, de realizar a mesma experiência em muitos dos círculos do poder, onde os colarinhos brancos andam a vagar, controlando, confortavelmente instalados, a rede do tráfico reprimido nos estabelecimentos de ensino. Ah! Ia me esquecendo: isso não é possível. Afinal, entranhados no sistema, a lei não os atinge.


Enquanto isso...

 Tradução: — Eu tive o suficiente no meu prato…

“A fome é um problema político. E uma questão de justiça social e políticas de redistribuição...”.

Olivier de Schutter
Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito a Alimentação em entrevista publicada no jornal El País no dia 17 de março de 2011.


O escritor e bioquímico nascido na Rússia, mas naturalizado norte-americano, Isaac Asimov (1920 - 1992) disse que “a violência é o último refúgio do incompetente”. E do covarde também, deveria ter acrescentado. Enquanto isso, muitos questionam: como se alimenta 7 bilhões de pessoas? Segundo a jornalista espanhola Esther Vivas, ativista de movimentos sociais e de políticas agrícolas e alimentares, em artigo publicado em El País no dia 30 de julho de 2011, intitulado Os porquês da fome, “vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7 bilhões. Comida, existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome? (...) A produção de alimentos se multiplicou por três desde os anos sessenta, enquanto que a população mundial tão só duplicou desde então. Não estamos enfrentando um problema de produção de comida, mas sim um problema de acesso. Se queremos acabar com a fome no mundo é urgente apostar por outras políticas agrícolas e alimentares que coloquem no seu centro as pessoas, as suas necessidades, aqueles que trabalham a terra e o ecossistema”. Para a jornalista, membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais (CEM S), da Universidade Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona, na Espanha, urge apostar naquilo que se tem chamado de “soberania alimentar” e “recuperar a capacidade de decidir sobre aquilo que comemos”. Para isso, é necessário, portanto, uma democratização dos meios de produção agrícola e alimentar. No dia 24 de janeiro deste ano, o Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito a Alimentação Olivier de Schutter alertou: “Não podemos esperar as pessoas morrerem de fome para agirmos. O mundo precisa responder imediatamente para evitar uma crise nutricional em larga escala”, ressaltando que, embora a crise pareça uma calamidade natural, ela é, na verdade, “um sintoma de nossa incapacidade em estar preparado de forma adequada e reagir de forma mais rápida aos primeiros sinais de alerta”, adiantando, entretanto, que, apesar de muitos acharem que não, “nós temos a tecnologia para prever com precisão a escassez de alimentos”... O que impede, então, de se fazer uso dessa mesma tecnologia? Enfim! Refletindo sobre a pergunta feita acima, selecionei quatro curiosas ilustrações...






Como se alimenta, então, 7 bilhões de pessoas?


Não se alimenta...


O bem maior do brasileiro:

“Não pode pensar na dor...”.

Dilma Rousseff
Presidente do Brasil, referindo-se as aflições que lhes foram infligidas pelas torturas que sofreu durante a ditadura militar (1964 - 1985) no país, cujo povo, aliás, paradoxalmente, encontra-se, hoje, penalizado pelas políticas públicas do seu governo – herança, contudo, de 16 anos de desgovernos, fatiados, no caso, entre os dois mandatos de FHC e os dois de Lula.


Em homenagem ao dia do nascimento do cientista e médico bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz (1872 - 1917), que nasceu num invernal 5 de agosto e foi um dos pioneiros no estudo de doenças tropicais, instituíusse, em 1967, o Dia Nacional da Saúde no Brasil. Em registro sobre o dia de hoje, de autoria da médica endocrinologista brasileira Anna Gabriela Fuks, publicado no portal de uma empresa de Medicina Diagnóstica e Saúde Preventiva da América Latina, a data foi criada para “promover a conscientização sobre a importância do tema entre a população, relembrar os cuidados que cada um deve ter com o corpo e promover a educação sanitária”. Segundo ela, “por meio dos esforços de Oswaldo Cruz, o Brasil conseguiu combater a peste bubônica em Santos (SP), além de outras cidades portuárias”, sendo que o brasileiro coordenou, ainda, “campanhas de erradicação da febre amarela e da varíola no Rio de Janeiro”. Além disso, apesar das revoltas populares e dos protestos violentos “no início do século XX, ele lutou para tornar a vacinação obrigatória no país. Com o tempo, ganhou apoio da população e do governo nessa causa e no combate aos mosquitos transmissores de doenças. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), centro de medicina experimental, tornou-se seu principal legado. Relembrar seu nascimento é importante, pois, devido ao trabalho de pessoas como Oswaldo Cruz, existem atualmente vacinas que previnem diversas doenças e alguns males já foram até erradicados do mundo. Os bebês já são imunizados com poucos dias de vida e o calendário de vacinação deve ser rigorosamente cumprido pelo médico e pelo paciente, a fim de que o indivíduo esteja imune a determinadas infecções”. Enquanto isso, noutras esferas da saúde pública no Brasil...



O que fazer?

Nathalie Bernardo da Câmara


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