segunda-feira, 30 de abril de 2012

CADA UM COM O SEU TELHADO DE VIDRO*

“Prefiro o Rio de Janeiro com dengue a São Paulo com Paulo Maluf...”.

Rita Lee
Roqueira brasileira

“Fantasia é fazer de conta que não há limites”

Por Herton Escobar e Giovana Girardi


Para o coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis, Aron Belinky, priorizar a sustentabilidade "não é uma questão de fantasia, mas de ousadia". Segundo ele, o modelo de desenvolvimento do governo Dilma Rousseff carece de visão de longo prazo. "É um modelo que simplesmente reproduz o que já foi feito no passado, fazendo de conta que não há limites para o planeta. Isso sim é fantasia", disse Belinky ao Estado. A Vitae Civilis é uma das várias organizações da sociedade civil que fazem parte do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

"O Brasil tem uma oportunidade estratégica de se desenvolver num padrão novo de sustentabilidade, integrando o desenvolvimento econômico, social e ambiental num só modelo", disse.

Com relação às hidrelétricas, Belinky disse que é preciso priorizar, também, medidas de eficiência energética, que permitam usar de maneira mais eficiente a eletricidade que já é produzida - diminuindo, assim, a necessidade de grandes obras na Amazônia, que, apesar de produzirem uma energia de baixo carbono, têm grandes impactos sobre a biodiversidade e as comunidades tradicionais da floresta.

"Há várias inovações que podem ser incorporadas ao sistema de produção de energia sem a necessidade de grandes obras."

O físico José Goldemberg, da Universidade de São Paulo, disse que o discurso de Dilma é um "mau presságio" para a Rio+20. "Esperava-se que o Brasil assumiria um papel de liderança, mas essa esperança não está se materializando. O Brasil vai acabar ficando como vidraça", avaliou Goldemberg.

Ele lembra que, hoje, as energias renováveis representam 13% do total de energia do mundo e há previsões de que alcancem de 25% a 50% até 2050. "Há hidrelétricas excelentes, não é uma questão de se opor a elas. Mas também é tecnicamente incorreto não considerar outras energias. É um falso dilema."


*Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo no dia 5 de abril de 2012, salientando que o título, a charge e a ilustração desta postagem foram escolhas minhas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Aceita-se comentários...