sábado, 1 de janeiro de 2011

2011:
A QUE SERÁ QUE SE DESTINA...



“Já que há mundos mais evoluídos,
por que eu tive de nascer justo neste?”.

Mafalda
Heroína iracunda argentina,
nas palavras do sociólogo italiano Umberto Eco



Na vida real, como certo dia ela mesma disse em uma carta encaminhada aos seus leitores da revista argentina Siete Días, Mafalda veio ao mundo no dia 15 de março de 1962, sendo, portanto, do signo de peixes, embora o seu primeiro emprego remonte ao dia 29 de setembro de 1964 – data em que foi publicada a primeira tira dessa personagem que, a bem da verdade, pode ser traduzida como sendo a “porta-voz da irritação” do seu criador, segundo o próprio, que é o desenhista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino. Falando em tradução, Mafalda já correu o mundo, que, aliás, em sua opinião, por ser doente, ela sempre rejeitou, em mais de vinte idiomas, levando, nas tiras geniais do autor, o seu habitual inconformismo.

Afinal, Mafalda nunca disfarçou a sua indignação contra toda sorte de injustiça – inclusas as desigualdades sociais e a miséria –, bem como as guerras, as armas nucleares, o racismo, as convenções dos adultos, incompreensíveis para ela, e as sopas em geral – deveriam ter-lhe dito que canja de galinha, por exemplo, além de cautela, como bem o disse o escritor português José Saramago (1922 - 2010), nunca fez mal a ninguém. Enfim! Fã incondicional dos Beatles, a precoce filósofa também se revelou uma entusiasta da paz mundial, dos direitos humanos e da democracia. Hoje, contudo, segundo Quino, os temas de interesse da sua cria provavelmente seriam a AIDS, as injustiças, a ecologia, a manipulação genética...

Eu, particularmente, acho que, além de todos os temas já mencionados, os dos anos sessenta e setenta, que ela, não duvido, manteria preservados, e os acrescentados pelo seu criador durante uma entrevista, não deixo de pensar em outros, também atuais, que são: o consumismo desenfreado, o aquecimento global, a censura na China e os ensandecidos conflitos, sobretudo os bélicos, entre as duas Coréias, a do Norte e a do Sul – campos férteis para criativas e espirituosas falas da personagem, que, apesar da sua natureza cética, não era tão indiferente ao seu próximo, visto que sempre defendeu a harmonia entre os povos e a crença no despertar de um mundo melhor, mais humano e pacífico. Isso se for possível, é claro!


Nathalie Bernardo da Câmara

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