quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ANITA LEOCÁDIA PRESTES: 77 ANOS DE VIDA E MUITO MAIS DE HISTÓRIA...

Acervo da família Prestes

Olga Benario e Luis Carlos Prestes, os pais de Anita Leocádia (na foto, ao centro, aos oito anos de idade).

Na tarde de 26 de novembro de 2013, véspera do seu aniversário, a historiadora e escritora brasileira Anita Leocádia Prestes, recebeu Zero Hora em sua casa, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, e bateu um longo papo com a jornalista Juliana Bublitz. O resultado, portanto, desse único e memorável encontro, foi publicado em três páginas na edição dominical do jornal gaúcho em 05 de janeiro de 2014 – no dia anterior, a versão online da entrevista já havia sido postada no site do periódico e, feito rasto de pólvora, circulado em diversas redes sociais da internet, cujo link, inclusive, este blog disponibiliza logo abaixo do breve enunciado.



— Desde pequena, eu sabia que meus pais eram comunistas e revolucionários...

Anita Leocádia Prestes


NO DIA 03 DE JANEIRO DE 2014, fez 115 anos do nascimento do engenheiro militar e político brasileiro Luiz Carlos Prestes, falecido no dia 07 de março de 1990; no dia 12 de fevereiro fará 106 anos do nascimento da militante comunista alemã Olga Gutmann Benario. Então... Nos anos trinta do séc. XX, residindo na ex-União Soviética, Prestes entra para os quadros da Internacional Comunista (IC), filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em agosto de 1934 – ano, aliás, em que ele retorna ao Brasil com a missão de liderar uma revolução armada no país, enquanto Olga Benario é encarregada de protegê-lo. Em dezembro, após a chegada clandestina ao Brasil, Prestes e Olga passam a viver não mais apenas por um ideal, uma causa, mas, também, pelo amor que os une, sendo o ano de 1936, contudo, o divisor de águas na vida do casal. Em março, Olga é detida pela polícia brasileira, ficando sob a sua custódia – período em que descobre que está grávida de Prestes. Implacável, o então ditador Getúlio Vargas (1882 - 1954) autoriza a deportação de Olga, cuja origem, judaica, é o seu passaporte para a Alemanha nazista de Hitler (1889 - 1945), onde ela desembarca no dia 18 de outubro – no ventre, há mais de sete meses, o fruto da sua união com Prestes. Levada, portanto, a uma prisão feminina comandada pela Gestapo, a famigerada polícia do nazismo, não demora muito e, no dia 27 de novembro, Olga dá à luz, num ambiente para lá de inóspito e hostil, em pleno outono europeu. Porém, apesar de fadada ao desterro, mas beneficiada pelas fortes pressões de uma campanha internacional a seu favor, Olga pôde amamentar a filha: Anita Leocádia Prestes, que, entretanto, seria privada da mãe quatorze meses depois, passando a ficar sob os cuidados da avó paterna. Olga, por sua vez, entregue à sorte... Enquanto isso, eis que, na primavera de 1942, dá-se por encerrado o seu calvário: no dia 23 de abril, num campo de concentração nazista, ela é executada numa câmera de gás. Olga tinha 34 anos de idade. Hoje, aos 77, Anita Leocádia Prestes é um símbolo não somente de resistência a injustiças, mas, sobretudo, à opressão e à tirania. Desmistifiquemos, portanto, através das suas próprias palavras, “o estigma de mulher amargurada”, que, por seu trágico passado, tem marcado, ao longo de décadas, a sua nem sempre solitária existência: salut à vida!

NBC




COM A PALAVRA, 
ANITA LEOCÁDIA PRESTES...

Entrevista concedida à jornalista Juliana Bublitz






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